
O Banco Central do Brasil concordou com a realização de uma inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (12) pelo presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo, após reunião com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Segundo Vital do Rêgo, o Banco Central garantiu ao TCU acesso integral aos documentos que embasaram a decisão de liquidação do banco, decretada em novembro de 2025. A expectativa é de que a análise técnica seja concluída em até um mês.
“Fizemos uma reunião com objetivos claros, para eliminar qualquer dúvida sobre a competência do TCU. O Banco Central se colocou como colaborador nesse processo”, afirmou o ministro.
O ministro disse ainda que mantém contato frequente com Galípolo e também com o presidente do TCU, destacando a importância da fiscalização para dar transparência ao processo. “Toda transparência ajuda. Estou absolutamente seguro do trabalho técnico feito pelo Banco Central”, afirmou.
De acordo com Vital do Rêgo, a inspeção não tem como objetivo rever ou anular a decisão de liquidação, mas verificar a regularidade dos atos administrativos praticados pela autoridade monetária.
“O ato de liquidação é administrativo e regulatório. O TCU está acostumado a analisar esse tipo de modelo técnico. Não cabe à Corte desfazer a liquidação”, reforçou o ministro, destacando que qualquer questionamento sobre o mérito da decisão só poderia ocorrer no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o entendimento firmado, está afastada a possibilidade de adoção de medida cautelar contra o Banco Central. Um cronograma de trabalho conjunto entre as equipes técnicas das duas instituições será definido nos próximos dias.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa da atuação do Banco Central e afirmou que o país pode estar diante da maior fraude bancária já registrada.
“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas, garantindo espaço para a defesa, mas sendo firmes na proteção do interesse público”, declarou Haddad a jornalistas.
O processo chegou ao TCU a partir de uma representação do Ministério Público junto à Corte de Contas, que pediu esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo BC para decretar a liquidação do Banco Master. O Banco Central informou que o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro enfrentava uma crise aguda de liquidez, sem recursos para honrar compromissos com correntistas e investidores.
O plenário do TCU deve julgar, na sessão de quarta-feira (21), os embargos apresentados pelo Banco Central e definir formalmente o alcance da inspeção sobre a atuação da autoridade monetária no caso.