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Vice dos EUA defende ICE e culpa esquerda por protestos

Vice-presidente vai à cidade alvo de operações migratórias, justifica apreensão de criança e volta a responsabilizar mulher morta por agentes federais

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
23/01/2026 às 16h26
Vice dos EUA defende ICE e culpa esquerda por protestos
Foto: Reprodução

O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, fez um discurso duro na noite de quinta-feira (22), em Minneapolis, em meio à escalada de protestos contra ações do ICE na cidade. Ao lado de viaturas federais e sob forte esquema de segurança, Vance afirmou que a crise local é resultado da atuação de “radicais de extrema esquerda” e da postura de autoridades ligadas ao Partido Democrata.

A fala reforçou a estratégia do governo Donald Trump de endurecer o discurso e as práticas na política migratória. Vance saiu em defesa explícita dos agentes federais envolvidos em dois episódios que geraram forte reação pública: a morte de Renee Nicole Good, baleada durante uma operação do ICE no início do mês, e a apreensão de uma criança de 5 anos durante uma batida migratória nesta semana.

Renee Nicole Good / Foto: Reprodução X

 

Criança apreendida em operação

Ao comentar o caso do menino Liam Conejo Ramos, Vance disse ter se chocado inicialmente com a notícia, mas afirmou que mudou de posição após ouvir a versão da agência. Segundo o ICE, a criança foi levada porque o pai, Adrian Conejo Arias, imigrante equatoriano, teria tentado fugir dos agentes.

“O que eles deveriam fazer? Abandonar uma criança de cinco anos na rua, no frio?”, questionou o vice-presidente, ao justificar a ação. Pai e filho foram levados para um centro de detenção em San Antonio, no Texas, a mais de 2 mil quilômetros de distância. A defesa da família afirma que ambos têm autorização para permanecer nos EUA enquanto aguardam a análise de um pedido de asilo.

Vance também acusou a imprensa de distorcer o episódio e criticou autoridades estaduais e municipais de Minnesota por não colaborarem com as operações federais. Segundo ele, a falta de cooperação das forças locais amplia o clima de instabilidade.

O vice-presidente voltou ainda a comentar a morte de Renee Good, ocorrida durante um protesto contra uma batida de imigração. Embora tenha afirmado que agentes federais não possuem “imunidade absoluta” e que eventuais erros serão apurados internamente, Vance repetiu a versão oficial de que a mulher teria atropelado um agente com o carro antes de ser baleada.

Análises independentes feitas por veículos da imprensa americana, a partir de imagens de câmeras de segurança, indicam que o veículo estava com as rodas viradas para longe do agente no momento do disparo e que não havia contato iminente entre o carro e o policial federal. Ainda assim, Vance insistiu que não cabe ao governo julgar o caso pela “opinião pública”.

 

Clima de confronto

As ações do ICE em Minneapolis se estendem há cerca de três semanas. Moradores passaram a acompanhar agentes federais, alertando imigrantes sobre operações e tentando impedir abordagens. Para Vance, esse tipo de reação torna o trabalho dos agentes mais perigoso e contribui para o agravamento da crise.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o governo adotou uma política declaradamente agressiva de deportações, ampliando detenções e reprimindo protestos. Decisões judiciais recentes e diretrizes internas fortaleceram os poderes do ICE, o que tem provocado críticas de juristas e entidades de direitos civis.

Protestos em Minneapolis / Foto: Reprodução

 

Um memorando interno do DHS, revelado neste ano, passou a autorizar agentes a entrarem em residências sem mandado judicial em determinados casos, medida apontada por especialistas como potencial violação da Quarta Emenda da Constituição americana, que protege contra buscas e apreensões ilegais.

Para pesquisadores e defensores de direitos humanos, o endurecimento das ações migratórias ultrapassa o debate sobre imigração e coloca em risco garantias fundamentais. Ainda assim, o discurso de Vance em Minneapolis sinaliza que o governo Trump pretende manter — e até aprofundar — a atual linha de confronto, mesmo diante da crescente contestação social.

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