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Dinamarca e Otan anunciam reforço militar no Ártico em meio à escalada de tensões com Trump

Copenhague reafirma soberania da Groenlândia enquanto presidente dos EUA pressiona por maior controle estratégico da ilha

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
23/01/2026 às 17h44
Dinamarca e Otan anunciam reforço militar no Ártico em meio à escalada de tensões com Trump
Foto: Reprodução

A Dinamarca anunciou nesta sexta-feira (23) que irá ampliar, em conjunto com a OTAN, a presença militar no Ártico, em resposta direta ao aumento das tensões diplomáticas provocadas pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia. O governo dinamarquês e as autoridades locais da ilha rejeitam qualquer discussão sobre mudança de soberania.

O anúncio foi feito pela primeira-ministra Mette Frederiksen após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas. Segundo Frederiksen, há consenso dentro da aliança de que a segurança no Ártico se tornou uma prioridade estratégica diante do novo cenário geopolítico.

“Concordamos que a Otan precisa intensificar sua atuação no Ártico. A defesa dessa região é uma questão central para toda a aliança”, afirmou a premiê, que ainda nesta sexta segue para Nuuk, capital da Groenlândia, para reuniões com o governo autônomo local.

 

Pressão americana e bases militares

A decisão ocorre após Trump afirmar, na quarta-feira (21), que Washington teria alcançado um entendimento com a Otan para garantir “acesso total e ilimitado” à Groenlândia. Embora o presidente americano não tenha detalhado o conteúdo do suposto acordo, veículos da imprensa dos EUA noticiaram que estaria em análise a cessão de áreas específicas da ilha para a instalação de bases militares americanas.

Segundo essas informações, o modelo em estudo se inspiraria no arranjo existente entre o Reino Unido e o Chipre, onde Londres mantém duas bases soberanas que ocupam cerca de 3% do território cipriota desde a independência do país, nos anos 1960. O governo do Chipre, no entanto, ainda classifica essas bases como um resquício do período colonial.

Frederiksen reconheceu que o acordo de defesa firmado em 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos —que garante ampla presença militar americana na Groenlândia desde a Guerra Fria— pode ser atualizado. Ela ressaltou, porém, que qualquer revisão ocorrerá dentro do marco da soberania dinamarquesa sobre o território.

 

Críticas à Otan e reação europeia

Enquanto Copenhague tenta conter a crise diplomática, Trump voltou a criticar a própria Otan. Em entrevista à Fox News, o presidente afirmou que os Estados Unidos não precisam da aliança militar criada no pós-Segunda Guerra Mundial. Ele também minimizou a participação de aliados europeus na guerra do Afeganistão, dizendo que muitos ficaram “longe da linha de frente”.

A declaração provocou forte reação em países que integraram a coalizão liderada pelos EUA. Entre 2001 e 2021, cerca de 30 mil militares não americanos atuaram no Afeganistão, representando pouco menos de um terço do efetivo internacional. Das 3.621 mortes registradas no período, 1.160 foram de soldados de outros países da Otan.

Proporcionalmente, a Dinamarca foi um dos países mais afetados. Com 43 militares mortos, o país registrou uma das maiores taxas de baixas por habitante entre os aliados, atrás apenas da Geórgia e dos próprios Estados Unidos.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer classificou as falas de Trump como “estarrecedoras” e um desrespeito aos aliados. Já o príncipe Harry afirmou que os sacrifícios feitos por soldados da Otan no Afeganistão “merecem respeito”.

O reforço militar anunciado pela Dinamarca e pela Otan sinaliza que, apesar das pressões de Washington, a aliança busca reafirmar sua coesão e presença estratégica no Ártico, região cada vez mais central nas disputas de segurança internacional.

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