
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (25) que o governo federal está revisando a atuação de agentes do ICE que resultou na morte de um homem durante uma abordagem em Minneapolis, no estado de Minnesota, no fim de semana.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Trump disse que a Casa Branca está analisando o episódio. “Estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão”, afirmou. O presidente evitou comentar diretamente a conduta dos agentes, mas declarou que “não gosta de tiros”, ao mesmo tempo em que voltou a sustentar que o homem estaria armado —versão que vem sendo contestada por imagens divulgadas nas redes sociais.
Nesta segunda-feira (26), Trump anunciou que enviará a Minnesota Tom Homan, responsável por supervisionar as operações de imigração do governo e conhecido como o “czar da fronteira”. Segundo o presidente, Homan irá se reportar diretamente a ele após avaliar a situação no local.
O caso ampliou a pressão política contra o governo. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, pediu a renúncia da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e defendeu a suspensão imediata das operações de deportação em massa. Parlamentares democratas também prometeram barrar no Congresso verbas destinadas à ampliação das ações do ICE.

A reação ocorre após vídeos analisados pelo The New York Times colocarem em xeque a versão divulgada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA. O órgão havia informado que o homem morto teria abordado agentes federais portando uma pistola semiautomática.
As imagens, no entanto, mostram que ele segurava um celular, não uma arma, no momento em que foi cercado pelos agentes. Segundo o jornal, o homem participava de um pequeno protesto de rua e parecia filmar a ação policial enquanto orientava o tráfego.
Durante a confusão, agentes utilizaram spray de pimenta contra manifestantes. O homem tenta ajudar uma mulher atingida quando é puxado por trás, derrubado no chão e imobilizado por vários agentes. Apenas depois de já estar no solo é que os agentes gritam que ele estaria armado.
Um dos agentes retira uma arma do meio da confusão. Em seguida, outro policial dispara à queima-roupa contra as costas da vítima. Pelo menos dez tiros foram efetuados em cerca de cinco segundos, segundo a análise do vídeo. Mesmo após o homem cair imóvel, novos disparos são feitos.
O homem morto foi identificado como Alex Pretti, de 37 anos. Ele era enfermeiro de UTI em um hospital de veteranos em Minneapolis. Segundo familiares, Pretti nunca apontou arma alguma e estava com o celular em uma das mãos e a outra erguida quando foi atacado.
Em nota, os pais, Michael e Susan Pretti, acusaram o governo Trump de divulgar “mentiras repugnantes” sobre a morte do filho. Eles afirmam que o último gesto de Alex foi tentar proteger uma mulher que havia sido empurrada pelos agentes momentos antes.
“Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda vazia, levantada, enquanto tentava proteger uma mulher que o ICE havia derrubado, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta”, disseram.
A família também contestou a narrativa oficial que classificou Pretti como “terrorista doméstico”. “Alex era um bom homem. Ele queria fazer a diferença no mundo”, afirmaram, pedindo que a verdade sobre o caso seja esclarecida.

Apesar das imagens, Trump voltou a defender as operações do ICE e culpou líderes democratas por “criarem ambientes de caos” em cidades consideradas santuários para imigrantes. Em publicação nas redes sociais, o presidente responsabilizou governadores e prefeitos pela morte de dois cidadãos americanos em abordagens recentes da agência.
O republicano também cobrou cooperação do governador de Minnesota, Tim Walz, e do prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, exigindo maior colaboração com ações federais de imigração e defendendo o fim das chamadas cidades santuários.
As investigações sobre a conduta dos agentes seguem em andamento, enquanto o caso se torna um novo ponto de tensão entre a Casa Branca, governos estaduais e a oposição democrata.