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Caso Cão Orelha: polícia indicia familiares de adolescentes por coação de testemunha

Pais e tio de suspeitos são acusados de tentar intimidar porteiro após morte de cachorro na Praia Brava

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
27/01/2026 às 14h56
Caso Cão Orelha: polícia indicia familiares de adolescentes por coação de testemunha
Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura tentativas de intimidação ligadas ao caso da morte do cão conhecido como Orelha, episódio que gerou forte comoção na Praia Brava, em Florianópolis. A investigação trata de um novo desdobramento: a suposta coação de uma testemunha por familiares dos adolescentes apontados como autores do ato infracional.

De acordo com a corporação, três adultos — pais e um tio dos adolescentes investigados — foram indiciados por coação no curso do processo. O inquérito foi finalizado e agora será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Segundo o delegado Ulisses Gabriel, responsável pelo caso, a coação teria como alvo um porteiro de um prédio onde os envolvidos residem. Ele teria sido afastado do trabalho após, supostamente, compartilhar em um grupo de WhatsApp uma imagem relacionada à investigação da morte do animal.

A polícia entende que a conduta configura tentativa de intimidar uma testemunha, o que motivou o indiciamento dos adultos, independentemente da apuração dos fatos envolvendo os adolescentes.

 

Entenda o caso do cão Orelha

A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro, após moradores da Praia Brava relatarem o desaparecimento do cachorro, que vivia há anos na região e era cuidado informalmente pela comunidade local.

Dias depois, Orelha foi encontrado por um de seus cuidadores gravemente ferido e em estado agonizante. Diante da gravidade das lesões, o animal não resistiu e precisou ser submetido à eutanásia.

Com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos, quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento no episódio, enquadrado como ato infracional análogo a maus-tratos a animais.

 

Adolescentes respondem conforme o ECA

Por se tratarem de menores de idade, os adolescentes não respondem criminalmente, mas podem ser responsabilizados conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As medidas socioeducativas previstas variam de advertência e prestação de serviços à comunidade até liberdade assistida e, em casos excepcionais, internação.

Além do caso envolvendo Orelha, os mesmos adolescentes também são investigados por tentativa de afogamento de outro cachorro, conhecido como Caramelo.

Após a repercussão do caso, dois dos adolescentes viajaram aos Estados Unidos para visitar a Disney. Segundo a Polícia Civil, a viagem já estava programada antes do episódio e não tem relação direta com as investigações.

A corporação informou que foi oficialmente comunicada sobre a saída do país durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A previsão é que os adolescentes retornem ao Brasil na próxima semana.

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