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Operação máfia do “Jogo do Tigrinho” e bloqueia R$ 11 milhões em 7 estados

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal aponta esquema com influenciadores que ostentavam luxo nas redes sociais para atrair vítimas para plataformas manipuladas de apostas

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
06/05/2026 às 15h58
Operação máfia do “Jogo do Tigrinho” e bloqueia R$ 11 milhões em 7 estados
Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (6) uma operação contra um grupo suspeito de aplicar golpes milionários em plataformas de apostas online, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”. Segundo a investigação, cerca de R$ 11 milhões foram movimentados pelo esquema, que utilizava influenciadores digitais para atrair vítimas por meio de falsas promessas de lucro fácil.

A ação foi coordenada pela 18ª Delegacia de Polícia, em Brazlândia, e cumpriu mandados no Distrito Federal e em outros seis estados: Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia.

Ao todo, nove pessoas são investigadas por suspeita de integrar uma organização criminosa envolvida em estelionato e lavagem de dinheiro.

Influenciadores exibiam vida de luxo nas redes

No centro da investigação estão Roberth Lucas, de 24 anos, e Eduarda Cavalcante, de 21 anos.

Segundo a polícia, o casal usava as redes sociais para exibir uma rotina de luxo, com viagens, lanchas, roupas de grife e grandes quantias em dinheiro vivo. Em um dos vídeos analisados pela investigação, Roberth aparece pagando compras com maços de notas de R$ 100.

De acordo com os investigadores, a ostentação tinha como objetivo convencer seguidores de que era possível enriquecer rapidamente com apostas online.

Ganhos eram simulados

A polícia afirma que os influenciadores utilizavam “contas demo”, fornecidas pelas próprias plataformas, em que os ganhos eram programados artificialmente para parecerem altos e frequentes.

Quando os seguidores acessavam os links divulgados pelo grupo, eram direcionados para plataformas manipuladas, nas quais o sistema favorecia perdas financeiras.

As investigações apontam ainda que os envolvidos recebiam comissões sobre os valores perdidos pelas vítimas.

Esquema usava tecnologia para esconder operações

Segundo a PCDF, o grupo utilizava ferramentas tecnológicas para dificultar o rastreamento das operações, incluindo servidores proxy e contas bancárias em nome de terceiros.

A investigação começou após a identificação de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Roberth, por exemplo, se apresentava como estudante e não possuía atividade formal registrada.

A partir de buscas realizadas em julho de 2024 na residência do casal, a polícia identificou uma estrutura maior, com divisão de tarefas entre líderes, operadores técnicos e influenciadores responsáveis pela captação de vítimas.

Justiça bloqueou R$ 11 milhões

Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 11 milhões em contas ligadas aos investigados.

Segundo a polícia, um dos integrantes movimentava, em média, cerca de R$ 48 mil por dia.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. A polícia não descarta novas fases da operação e a identificação de outros envolvidos após a análise dos materiais apreendidos.

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