
A Justiça voltou a considerar ilegal o funcionamento do aterro sanitário de Goiânia e determinou que a prefeitura protocole, em até 90 dias, um novo pedido de licenciamento ambiental junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
Na decisão, a juíza Mariuccia Benicio Soares Miguel, da 7ª Vara da Fazenda Pública, anulou a licença ambiental corretiva emitida pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), que vinha sendo utilizada pela administração municipal para manter a operação do aterro.
A decisão representa mais um desdobramento de um processo iniciado há cerca de um ano, após ação da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). Em abril de 2024, a magistrada chegou a determinar o fechamento do aterro em até 60 dias, caso os problemas não fossem resolvidos.
Posteriormente, a medida foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), e a competência para o licenciamento ambiental chegou a ser atribuída à Amma. Agora, a juíza volta a entender que a responsabilidade é da Semad.
Segundo a decisão, documentos anexados ao processo apontam um “quadro de reiteradas irregularidades” e omissão contínua da prefeitura na gestão do aterro, que teria regredido tecnicamente à condição de “lixão a céu aberto”. A magistrada também destacou descumprimento de termos de ajustamento de conduta firmados com o Ministério Público de Goiás desde 2020.
Apesar das irregularidades, a juíza descartou o fechamento imediato do aterro, argumentando que a medida poderia causar colapso na coleta de lixo e gerar riscos sanitários ainda maiores.
A decisão estabelece que:
Além disso, a prefeitura foi condenada ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. O valor será destinado ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema), com aplicação prioritária em projetos de recuperação da bacia do rio Meia Ponte e ações de fiscalização ambiental na região.
A decisão também ocorre em meio a um impasse entre prefeitura e órgãos estaduais sobre a gestão ambiental do aterro, incluindo a destinação do chorume para tratamento. O espaço segue aberto para manifestações das autoridades envolvidas.