
O Relógio do Juízo Final foi ajustado nesta terça-feira (27) para 85 segundos antes da meia-noite, o ponto simbólico que representa a aniquilação global. A atualização foi anunciada pelo Boletim dos Cientistas Atômicos e indica um cenário mais arriscado do que no ano passado, quando o relógio marcava 89 segundos para o fim.
Segundo a organização, o novo ajuste reflete a combinação de tensões nucleares, conflitos armados em curso e preocupações crescentes com a inteligência artificial. O comportamento mais agressivo das grandes potências — como Estados Unidos, Rússia e China — e o enfraquecimento de acordos de controle de armas aumentam o risco de um desastre global.

O anúncio deste ano contou com a participação da jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2021. Em sua fala, ela alertou para o que chamou de “apocalipse da informação”, impulsionado por tecnologias que ampliam a desinformação e aprofundam divisões sociais, afetando diretamente a capacidade de resposta a crises globais.
À agência Reuters, a presidente e CEO do Boletim, Alexandra Bell, afirmou que há uma “falha global de liderança” diante dos riscos atuais. Ela destacou que, em 2025, não houve avanços positivos na redução do risco nuclear, citando a fragilidade de acordos diplomáticos, o retorno da ameaça de testes nucleares e conflitos ocorrendo sob a sombra de armas atômicas.
Além das disputas na Ucrânia e no Oriente Médio, os cientistas apontam tensões na Ásia — como na Península Coreana e em torno de Taiwan — e o aumento da instabilidade internacional desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA. Para o Boletim, o avanço do Relógio do Juízo Final reforça a urgência de cooperação internacional e liderança responsável para reduzir riscos que afetam toda a humanidade.