
Um juiz federal do estado de Minnesota, nos Estados Unidos, determinou que o diretor interino do ICE, Todd Lyons, compareça pessoalmente ao tribunal para explicar o que classificou como falhas repetidas no cumprimento de ordens judiciais durante operações de imigração no estado.
Na decisão, o juiz Patrick J. Schiltz afirmou que o governo do presidente Donald Trump deixou de garantir audiências judiciais a imigrantes detidos pelo ICE, mesmo após determinações claras da Justiça local. “A paciência do tribunal chegou ao fim”, escreveu o magistrado. Lyons deve depor na próxima sexta-feira (30).
Minnesota tornou-se palco de forte tensão após duas mortes de cidadãos americanos durante ações federais em menos de um mês. No caso mais recente, o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação em Minneapolis. Vídeos analisados pela imprensa contradizem a versão oficial de que ele teria ameaçado os agentes.
Antes disso, em 7 de janeiro, a poeta Renee Nicole Good, também de 37 anos, foi morta dentro do próprio carro durante outra operação. A Casa Branca alegou que ela tentou atropelar um agente, versão igualmente questionada por imagens do episódio.
A escalada da crise levou o governo federal a realocar Gregory Bovino, comandante das operações de imigração em Minneapolis e figura central da ofensiva migratória de Trump. Bovino, conhecido pela postura agressiva nas deportações, retornará a um cargo administrativo na Califórnia, segundo fontes ouvidas pela Reuters e pelo The New York Times.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que, após conversa com Trump, parte dos agentes federais começará a deixar a cidade. Ele declarou que o município seguirá colaborando com investigações criminais, mas não participará de “prisões inconstitucionais”.
As mortes e denúncias de abuso provocaram protestos em larga escala e aumentaram a pressão sobre a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que passou a ser alvo de pedidos de impeachment por parlamentares democratas. Enquanto isso, autoridades estaduais exigem uma investigação independente e questionam a capacidade do governo federal de conduzir o caso com transparência.