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Auditoria avalia se Banco Master fechou tarde demais

Auditoria analisa decisões adotadas desde 2019 e avalia se liquidação poderia ter ocorrido antes, evitando prejuízos bilionários

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
29/01/2026 às 14h43
Auditoria avalia se Banco Master fechou tarde demais
Foto: Reprodução

O Banco Central do Brasil abriu uma investigação interna para revisar a condução da fiscalização e das decisões adotadas no caso do Banco Master, cuja liquidação foi decretada em novembro de 2025. O foco da apuração está na atuação do órgão ao longo dos últimos anos, especialmente durante a gestão do então presidente Roberto Campos Neto.

A sindicância busca identificar se já existiam, em anos anteriores, elementos técnicos suficientes para uma intervenção mais precoce na instituição financeira. A principal linha de análise considera que a demora na adoção de medidas mais duras pode ter ampliado o prejuízo ao sistema financeiro, inclusive ao Fundo Garantidor de Créditos, que deverá arcar com cerca de R$ 50 bilhões, além de perdas para fundos de pensão e investidores não cobertos pela garantia.

Segundo fontes com acesso ao processo, a investigação percorre toda a trajetória do Banco Master dentro do sistema financeiro. Isso inclui a autorização dada pelo BC para a transferência de controle do antigo banco Máxima para o grupo Master, a consolidação da operação — que levou cerca de dois anos — e os problemas de liquidez identificados já em 2024.

A apuração interna também dialoga com investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal, que apontam indícios de fragilidade financeira e venda de carteiras consideradas fictícias ao longo de 2024.

 

Declarações antes da liquidação entram no radar

Em entrevista concedida à GloboNews em outubro de 2025, pouco antes da decretação da liquidação, Campos Neto afirmou que não teve conhecimento, durante sua gestão, das negociações para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou sendo vetada pelo BC.

Na ocasião, ele também declarou que o Master não representava risco sistêmico, mas sim um risco de imagem para o setor financeiro. Essas falas agora fazem parte do contexto analisado pela auditoria interna.

A abertura da sindicância foi determinada pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda em novembro de 2025. O procedimento é conduzido pela corregedoria da autarquia, em regime de sigilo, sem prazo definido para conclusão.

A investigação só veio a público nesta semana após revelação do jornal O Globo, posteriormente confirmada por outros veículos. Dentro do BC, a justificativa para o sigilo é a gravidade do processo de liquidação extrajudicial, que exige documentação detalhada e análise técnica cuidadosa.

 

Chefes da Supervisão Bancária foram afastados

Após a abertura da investigação, dois nomes centrais da área de fiscalização deixaram seus cargos de confiança: Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto da área.

Paulo Souza, que foi diretor de Fiscalização entre 2019 e 2023 — período que coincide com a gestão Campos Neto —, atuava diretamente na supervisão de dezenas de bancos, incluindo o Master. Ele deixou oficialmente a função comissionada após a liquidação da instituição. Até o momento, não há acusações formais contra nenhum dos dois servidores.

Relatos internos apontam que houve divergências técnicas entre Souza e Galípolo sobre lançamentos contábeis no balanço do Master. Essas discussões teriam ocorrido pouco antes da liquidação do banco.

Em depoimento à Polícia Federal, o atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, mencionou Belline Santana ao relatar um ofício recebido em junho de 2025, no qual o então presidente do BRB indicava a aquisição de ativos do Master. O banco público do Distrito Federal comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, segundo investigadores, continham fraudes.

 

Transparência, riscos internos e análise do TCU

Com a investigação, o Banco Central busca dar transparência à própria atuação, identificar eventuais falhas de governança e aprimorar procedimentos de supervisão. Internamente, porém, há preocupação com o desgaste entre servidores experientes e com a possibilidade de que conclusões da sindicância sejam usadas pela defesa do controlador do Master para questionar decisões já tomadas.

O caso também está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Avaliações preliminares indicam tendência de validação da atuação do BC, apontando que não houve omissão ou falta de monitoramento contínuo, especialmente a partir de 2024.

Em nota, a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central afirmou confiar no trabalho técnico e colegiado da instituição. Segundo a entidade, decisões em áreas sensíveis seguem processos formais, documentados e com mecanismos permanentes de controle e auditoria.

A expectativa é de que, após a conclusão das análises internas e externas, o episódio sirva como referência para aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro nacional.

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