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Servidores desviam verba da educação para apostas

Apurações apontam uso de verbas públicas em jogos como o “Jogo do Tigrinho”; ao menos 15 processos administrativos estão em andamento

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas Fonte: TV Anhanguera
29/01/2026 às 16h30
Servidores desviam verba da educação para apostas
Foto: Reprodução

Servidores da rede estadual de ensino de Goiás estão sendo investigados por suspeita de desvio de recursos públicos da educação para jogos de apostas on-line, entre eles o chamado “Jogo do Tigrinho”. Os casos foram identificados pela Secretaria Estadual de Educação de Goiás (Seduc), que abriu processos administrativos e afastou os servidores envolvidos.

Segundo a secretaria, 15 investigações estão em andamento, todas conduzidas pela corregedoria da pasta. As apurações seguem sob sigilo, e o número total de servidores suspeitos não foi divulgado. Há casos que envolvem servidores efetivos e contratados, que atuavam em funções ligadas à gestão e ao controle financeiro das escolas.

De acordo com a Seduc, os primeiros indícios de irregularidades surgiram há cerca de dois anos. Desde então, a secretaria passou a analisar movimentações financeiras consideradas fora do padrão em escolas de diferentes regiões do estado.

A pasta informou que todo o dinheiro desviado já foi reposto, para que os alunos não fossem prejudicados. O valor total retirado das escolas, no entanto, não foi informado.

Como os nomes dos investigados não foram divulgados, não foi possível localizar as defesas. A Polícia Civil de Goiás afirmou que não comenta investigações sem a identificação formal dos suspeitos.

 

Escola teve R$ 90 mil desviados em três meses

Em um dos casos apurados, uma escola teve R$ 90 mil desviados em apenas três meses, segundo levantamento da TV Anhanguera.

A suspeita é uma auxiliar administrativa de uma escola em Itaberaí, que procurou a polícia por conta própria. Em depoimento, ela disse que era responsável por solicitar compras e fazer pagamentos com o dinheiro enviado pelo governo estadual.

A servidora afirmou que usou os recursos da escola em apostas on-line, acreditando que conseguiria recuperar o valor e devolver o dinheiro depois. No entanto, segundo ela, as perdas aumentaram até que todo o recurso foi gasto.

 

Entidades alertam para riscos das apostas

Após a divulgação do caso, entidades ligadas ao setor de apostas se manifestaram sobre os riscos do jogo compulsivo.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que os jogos devem ser apenas uma forma de entretenimento e destacou que plataformas legalizadas oferecem ferramentas para limitar apostas e bloquear contas em casos de comportamento compulsivo.

Já o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) alertou que o maior perigo está nos sites ilegais, que não seguem regras e expõem usuários a riscos como endividamento, fraudes e lavagem de dinheiro. Segundo a entidade, mais da metade do mercado de apostas no Brasil ainda atua de forma clandestina.

 

Investigações continuam

A Secretaria de Educação informou que as apurações seguem dentro da lei, com respeito ao devido processo administrativo. Novas medidas podem ser adotadas conforme o avanço das investigações.

O caso levanta um alerta sobre o uso correto do dinheiro público nas escolas e os impactos do crescimento dos jogos de apostas on-line no país.

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