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Grupo Fictor pede recuperação judicial após caso Master

Grupo acumula R$ 4 bilhões em dívidas e tenta ganhar fôlego financeiro após tentativa frustrada de comprar o Banco Master

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
02/02/2026 às 14h02
Grupo Fictor pede recuperação judicial após caso Master
Foto: Reprodução

O grupo Fictor, que participou da proposta de compra do Banco Master junto a investidores dos Emirados Árabes Unidos, entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. A solicitação foi apresentada neste domingo (1º).

Segundo a empresa, a medida tem como objetivo renegociar dívidas, preservar a continuidade das operações e manter empregos. As obrigações financeiras do grupo somam cerca de R$ 4 bilhões.

O pedido envolve apenas a Fictor Holding e a Fictor Invest, responsáveis pelas participações societárias e operações financeiras do conglomerado. As demais empresas do grupo ficaram fora da recuperação judicial e, segundo a companhia, seguem funcionando normalmente.

 

Dívidas e atrasos com investidores

Desde dezembro do ano passado, a Fictor vinha atrasando pagamentos a investidores, especialmente aqueles que aplicaram recursos em contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP). A empresa havia informado que pretendia regularizar os pagamentos até 12 de fevereiro, o que não ocorreu.

Além disso, o grupo passou a ser alvo de questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários, órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais.

Na semana passada, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 150 milhões da empresa, valor que servia como garantia em contratos ligados a uma operação de cartões corporativos da Fictor Pay, fintech do grupo.

 

Pedido inclui suspensão de cobranças

No pedido de recuperação judicial, a Fictor solicitou uma tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, prazo previsto em lei para que empresas apresentem um plano de recuperação.

A companhia afirma que pretende pagar as dívidas integralmente, sem desconto nos valores, pedindo apenas mais prazo para cumprir os compromissos.

“Nesse período, a empresa poderá negociar novas condições de pagamento sem interromper as operações, preservando mais de 10 mil empregos diretos e indiretos”, informou o grupo em nota.

Segundo a Fictor, a crise de liquidez teve início em novembro do ano passado, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Na ocasião, um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou a intenção de comprar o banco controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com promessa de um aporte de R$ 3 bilhões.

No entanto, no mesmo dia do anúncio, Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

Segundo a empresa, o episódio gerou forte desgaste reputacional e uma onda de notícias negativas, o que levou investidores a pedir resgates e comprometeu a liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest.

 

Estrutura e atuação do grupo

Fictor Alimentos S.A / Foto: Reprodução

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em diversas áreas, como:

  • indústria de alimentos (proteína animal);

  • serviços financeiros e meios de pagamento;

  • energia e infraestrutura;

  • mercado imobiliário.

O grupo afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente, e manter operações no Brasil e no exterior, com escritórios em São Paulo, Miami e Lisboa.

No setor de alimentos, a principal subsidiária é a Fictor Alimentos, que possui unidades em cinco estados e ações negociadas na B3 sob o código FICT3. Desde o caso Master, os papéis acumulam forte queda na bolsa.

Nos últimos anos, a Fictor ganhou visibilidade nacional por meio de patrocínios esportivos. O grupo mantém contratos com a Confederação Brasileira de Atletismo e com o Palmeiras, incluindo patrocínio às categorias de base e exposição da marca no time profissional.

Com a recuperação judicial, a Fictor terá prazo legal para apresentar um plano de reestruturação financeira aos credores. A empresa afirma que já vinha promovendo ajustes internos, como redução de estrutura física e de pessoal, antes mesmo de recorrer à Justiça.

As subsidiárias fora do pedido de recuperação devem manter contratos, projetos e operações normalmente, enquanto a reorganização financeira ocorre no nível da holding.

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