
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, que confessou ter matado a corretora Daiane Alves, de 43 anos, disse à Polícia Civil de Goiás que jogou a arma usada no crime no Rio Corumbá, em Goiás. A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação.
Segundo apurado, policiais chegaram a ir com Cleber até o local indicado como ponto onde o revólver teria sido descartado. Moradores da região relataram que o trecho é frequentemente usado para a desova de objetos ligados a crimes, por causa da grande profundidade e da forte correnteza. Em alguns pontos, o rio pode atingir até 90 metros de profundidade, o que dificulta a localização de qualquer material lançado na água.
A polícia avalia que a escolha do local pode indicar tentativa de ocultação de provas, o que reforça suspeitas de que o crime não ocorreu da forma relatada inicialmente pelo autor confesso.

Em depoimento, Cleber afirmou que agiu em legítima defesa. Segundo ele, o disparo teria ocorrido durante uma luta corporal no subsolo do condomínio onde ambos moravam, após um confronto com a vítima.
No entanto, essa versão vem sendo colocada em dúvida pelos investigadores. Perícias realizadas no local não encontraram vestígios de sangue, marcas de disparo ou outros indícios compatíveis com um homicídio por arma de fogo no subsolo.
Outro ponto que levanta suspeitas é o fato de as câmeras de segurança do prédio terem ficado desligadas por cerca de oito minutos, exatamente no intervalo em que a polícia acredita que o crime tenha ocorrido. Para os investigadores, se o encontro tivesse sido casual, não haveria motivo para o apagão no sistema.
Além disso, as luzes do subsolo estavam apagadas e só foram acionadas quando Daiane saiu do elevador, o que contraria o relato de que Cleber já estaria no local antes da chegada dela.
O corpo de Daiane foi localizado na última quarta-feira (28), em uma área de mata às margens da GO-213, entre Caldas Novas e Ipameri, após o próprio Cleber indicar o local à polícia. A ossada foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML).
Fontes ligadas ao inquérito confirmaram que havia um projétil alojado no crânio da vítima, o que se tornou um dos principais pontos de confronto técnico com a versão apresentada pelo síndico. Peritos avaliam que a trajetória do disparo não é compatível com uma luta corporal de curta distância.
A análise balística do projétil deve ajudar a identificar o calibre da arma, a direção do tiro e se há correspondência com outros vestígios coletados durante a investigação.
Além do descarte da arma no rio, outros elementos reforçam a suspeita de tentativa de ocultação de provas. O celular da corretora foi encontrado dentro de uma caixa de esgoto do condomínio, local de difícil acesso. Também não foram localizados vestígios biológicos no ponto indicado como cenário do crime.
Moradores ouvidos pela polícia afirmaram que não ouviram barulho de tiro na noite do homicídio, o que levanta a hipótese de que o disparo possa ter ocorrido em outro local.
Daiane Alves desapareceu no dia 17 de dezembro, após descer ao subsolo do prédio para verificar a falta de energia em seu apartamento. As últimas imagens dela com vida são do momento em que saiu do elevador, por volta das 19h. A polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha ocorrido em um intervalo de oito minutos.
Cleber Rosa está preso temporariamente desde 28 de janeiro. O filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi preso, suspeito de tentar atrapalhar as investigações. A defesa afirma que Maicon não teve participação no crime.
A Polícia Civil informou que não fará novas entrevistas até a conclusão do inquérito. A causa oficial da morte ainda depende do laudo final da perícia.