
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar possível gestão fraudulenta no Banco Regional de Brasília (BRB). A apuração está relacionada a operações realizadas durante a tentativa de compra do Banco Master, anunciada em março do ano passado.
A abertura do inquérito foi comunicada ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o caso tramita sob sigilo. A investigação foi iniciada na última sexta-feira.
Segundo informações apuradas, não há dúvidas sobre a solidez financeira do BRB. A instituição permanece estável do ponto de vista de balanço e liquidez, e o inquérito não questiona a sustentabilidade do banco.
A investigação, porém, foca em operações específicas da gestão anterior, que teriam sido analisadas internamente pelo próprio BRB após a negociação envolvendo o Banco Master.
De acordo com os elementos iniciais, há indícios de que algumas operações podem ter sido estruturadas para driblar regras de transparência sobre a titularidade das ações. A suspeita é de que, de forma camuflada, tenham sido ultrapassados limites legais de participação acionária por um mesmo grupo econômico.
As apurações também levantam a possibilidade de envolvimento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em parte dessas operações.
Neste momento, a Polícia Federal não solicitou interrogatórios. O foco inicial da investigação está na análise documental, incluindo contratos, registros societários e operações financeiras relacionadas à negociação entre o BRB e o Banco Master.
O BRB deverá apresentar, em março, seu balanço atualizado, que deve detalhar o impacto financeiro das negociações envolvendo carteiras consideradas problemáticas do Master. Esse material também deve subsidiar o avanço das investigações.