
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram em depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes na investigação sobre o caso Jeffrey Epstein. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (2) por um porta-voz do ex-presidente, poucos dias antes de uma possível votação que poderia resultar em acusação por desacato ao Congresso.
“O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão lá. Eles esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos”, afirmou o porta-voz Angel Ureña em publicação na rede X. Segundo o The New York Times, os advogados do casal enviaram um e-mail ao presidente do comitê confirmando a disposição para depor e pedindo o cancelamento da votação sobre o desacato.
Em janeiro, Bill e Hillary haviam divulgado uma carta acusando perseguição política por parte do deputado republicano James Comer, presidente do comitê. Na ocasião, o casal afirmou que o parlamentar estaria usando um mecanismo “raramente aplicado” com o objetivo de forçar sua prisão. Após a recusa inicial em depor, republicanos anunciaram a abertura de processos por desacato ao Congresso, que podem resultar em multa e até um ano de prisão.
A ida dos Clinton ao comitê é vista pelo New York Times como uma vitória política de Comer e ocorre em um momento de forte disputa partidária. Parlamentares democratas acusam os republicanos de tentar desviar o foco da investigação sobre possíveis vínculos entre Epstein e o atual presidente dos EUA, Donald Trump.
Trump é citado diversas vezes nos arquivos do caso Epstein e chegou a aparecer em fotos ao lado do financista. Documentos divulgados no fim do ano passado incluem um e-mail atribuído a Epstein, de janeiro de 2019, no qual ele afirma que Trump “sabia” sobre o envolvimento com garotas. O presidente nega qualquer irregularidade e diz que nunca esteve na ilha onde ocorreram os abusos.

Nesta segunda-feira (2), após a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados ao caso, Trump afirmou que o Departamento de Justiça deveria “deixar o assunto de lado” e focar em outras prioridades. Ele também ameaçou processar opositores que o associem ao escândalo.
Imagens reveladas recentemente mostram Epstein ao lado de Bill Clinton em diferentes ocasiões, incluindo registros em um avião e em eventos sociais. O contexto desses encontros ainda não foi esclarecido. Segundo o porta-voz de Clinton, o ex-presidente rompeu relações com Epstein “muito antes” de os crimes virem à tona.
Os chamados “Arquivos de Epstein” reúnem mais de 300 gigabytes de documentos, vídeos, fotos e áudios armazenados no sistema do FBI, incluindo relatórios de investigação, depoimentos e memorandos internos. Epstein foi condenado por crimes sexuais, acusado de tráfico de menores e encontrado morto em sua cela, em 2019, em um caso oficialmente tratado como suicídio.
A expectativa agora é que os depoimentos de Bill e Hillary Clinton ocorram nas próximas semanas, em sessão do comitê, ainda sem data divulgada.