
O vencimento do New START nesta quinta-feira (5) provocou reações imediatas da comunidade internacional e reacendeu temores de uma nova corrida nuclear. O acordo limitava ogivas estratégicas, mísseis e bombardeiros de longo alcance de Estados Unidos e Rússia, além de prever inspeções mútuas. Sem sua renovação, o mundo volta a um cenário sem limites vinculantes para esses arsenais.
Rússia
O Kremlin lamentou o fim do tratado. O vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitri Medvedev, afirmou que o país está pronto para um “novo mundo” sem limites nucleares, em tom de provocação ao Ocidente.
Estados Unidos
O governo norte-americano não divulgou nota oficial após o vencimento. Uma autoridade da Casa Branca afirmou à TV Globo que “haverá notícias” sobre o tema, sinalizando possíveis negociações. O secretário de Estado Marco Rubio defendeu que qualquer novo acordo inclua a China, citando a rápida expansão do arsenal chinês.
União Europeia
O bloco pediu moderação e responsabilidade neste momento sensível para a segurança internacional.
China
Pequim lamentou o fim do tratado. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que a China compartilha das preocupações globais e pediu a retomada do diálogo entre Washington e Moscou.
ONU
O secretário-geral António Guterres classificou o cenário como um “momento grave” para a paz mundial: pela primeira vez em mais de meio século, não há limites vinculantes aos arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares.
Vaticano
O papa Leão XIV apelou para que EUA e Rússia renovem um acordo nuclear, alertando para o risco de uma nova corrida armamentista.
Assinado em 2010 por Barack Obama e Medvedev, o tratado entrou em vigor em 2011 e foi prorrogado em 2021 por cinco anos. Ele limitava a 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros por país, além de permitir até 18 inspeções anuais. As inspeções foram suspensas em 2020, durante a pandemia, e as tentativas de retomada não avançaram após 2022.
Com o fim do New START, cresce a pressão diplomática por um novo marco de controle de armas — possivelmente mais amplo e multilateral — para evitar a escalada nuclear em um cenário global já marcado por tensões geopolíticas.