
A polícia do Reino Unido abriu uma apuração para verificar se o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor enviou informações confidenciais ao financista norte-americano Jeffrey Epstein. A investigação ganhou força após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de e-mails que ampliaram a crise envolvendo a família real britânica.
Segundo a polícia do Vale do Tâmisa, responsável pela região oeste de Londres, as informações recebidas estão sendo analisadas conforme os procedimentos oficiais. Os e-mails indicam que Andrew teria repassado relatórios comerciais sensíveis quando atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.

Em uma mensagem de novembro de 2010, o então duque de York enviou a Epstein documentos sobre visitas oficiais ao Vietnã, Hong Kong, China e Singapura poucos minutos após recebê-los de um assessor. Outros e-mails mostram que ele também compartilhou detalhes sobre viagens futuras aos mesmos destinos.
O episódio reacende questionamentos sobre a relação de Andrew com Epstein, investigado por liderar uma rede de tráfico sexual de menores nos Estados Unidos. O ex-príncipe perdeu títulos e funções públicas após novas revelações e foi afastado de sua residência oficial em Windsor por decisão do rei Charles III.
A pressão aumentou com a reação dos herdeiros do trono. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (9), o príncipe William e sua esposa, Kate Middleton, afirmaram estar “profundamente preocupados” com as revelações mais recentes do caso. Segundo o Palácio de Kensington, os pensamentos do casal “continuam voltados às vítimas” de Epstein.
Andrew nega qualquer irregularidade. Ele também refutou acusações de abuso sexual feitas por Virginia Giuffre, principal denunciante do caso Epstein, que morreu em abril de 2025. Mesmo assim, novas fotos e mensagens divulgadas no fim de janeiro voltaram a alimentar suspeitas sobre a proximidade entre o ex-príncipe e o financista.
Com a investigação em andamento e novas informações vindo a público, o caso amplia o desgaste da monarquia britânica e mantém sob escrutínio a atuação de Andrew em funções oficiais. A apuração policial deve definir se houve violação de normas de confidencialidade e se o episódio terá desdobramentos judiciais.