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Crise do Master avança e atinge diretoria do BRB

Saída ocorre em meio a investigações sobre a tentativa de compra do banco, vetada pelo BC e apurada pela PF

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
10/02/2026 às 14h35
Crise do Master avança e atinge diretoria do BRB
Foto: Reprodução

O Banco de Brasília (BRB) comunicou a renúncia do diretor jurídico Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, que deixará o cargo no próximo dia 14. A saída ocorre em meio às investigações sobre a tentativa frustrada de aquisição de uma fatia do Banco Master, operação vetada pelo Banco Central e hoje sob apuração da Polícia Federal.

Em comunicado ao mercado, Melo afirmou que decidiu retornar integralmente à advocacia tributária, citando as mudanças trazidas pela reforma tributária e a necessidade de dedicação aos clientes. A renúncia foi anunciada na noite de segunda-feira (9).

O executivo havia assinado um parecer jurídico, revelado pela imprensa, no qual recomendava cautela ao BRB quanto aos índices de liquidez e de Basileia do Banco Master. O documento foi elaborado quatro dias antes de o conselho de administração do banco estatal aprovar, por unanimidade, a compra de 58% do capital total da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

  • No parecer, Melo apontou que os indicadores de liquidez eram essenciais para a segurança da operação, embora tenha concluído que não havia ilegalidades na proposta, desde que fossem observadas as orientações técnicas listadas. Apesar das ressalvas, o negócio foi aprovado em 28 de março de 2025.

Meses depois, em setembro, o Banco Central do Brasil vetou a operação e, em novembro, decretou a liquidação do Banco Master. Na data da intervenção, a instituição possuía apenas R$ 4 milhões em caixa e R$ 22,9 milhões depositados no BC, valor inferior a 1% do exigido pela regulação.

 

BRB cobra repasses e apresenta plano ao BC

Paralelamente, o BRB cobrou do liquidante do Banco Master o repasse de valores referentes a empréstimos de carteiras adquiridas. O montante devido é estimado em cerca de R$ 4 bilhões. Diante da falta de repasse, o banco comunicou formalmente o Banco Central.

Na última sexta-feira (6), o BRB apresentou ao BC um plano de recomposição de capital para cobrir possíveis fraudes nas carteiras compradas do Master. A autoridade monetária determinou o provisionamento de R$ 2,6 bilhões. O banco também colocou os ativos à venda e negocia com quatro interessados; segundo fontes da instituição, uma eventual venda pode evitar aporte do acionista controlador, o Governo do Distrito Federal.

O prejuízo final da operação ainda está sendo apurado pelo Banco Central e por auditoria independente contratada pelo BRB. A Polícia Federal investiga o caso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de repasse de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito fraudadas do Banco Master para o banco estatal.

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