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Dias Toffoli confirma sociedade em resort, nega vínculo com Daniel Vorcaro e mantém relatoria do caso Master

Relatório da PF cita mensagens sobre pagamentos à empresa da família do ministro; magistrado afirma que nunca recebeu valores do banqueiro e desconhecia gestor do fundo comprador

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
12/02/2026 às 14h30 Atualizada em 12/02/2026 às 17h35
Dias Toffoli confirma sociedade em resort, nega vínculo com Daniel Vorcaro e mantém relatoria do caso Master
Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, confirmou que é sócio da empresa Maridt, que integrou o grupo proprietário do resort Tayayá, no Paraná, mas afirmou que não mantém relação de amizade com o banqueiro Daniel Vorcaro e que jamais recebeu qualquer valor dele.

A manifestação ocorre após a Polícia Federal (PF) enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, mencionando pagamentos à Maridt no contexto da compra do empreendimento.

A empresa Maridt, da qual Toffoli é acionista, era dona de 33% do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Vista da sede da Maridt Participações, na cidade de Marí­lia / Foto: Reprodução

Segundo o ministro, a participação foi vendida em duas etapas:

  • 27 de setembro de 2021: venda de cotas ao Fundo Arleen;

  • 21 de fevereiro de 2025: alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding.

O Fundo Arleen é apontado como parte da estrutura ligada a Daniel Vorcaro, banqueiro investigado por supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Toffoli afirmou que recebia dividendos da empresa por ser sócio, mas não exercia função de gestão — atividade vedada pela Lei Orgânica da Magistratura.

Relatório da PF e discussão sobre suspeição

O relatório da Polícia Federal menciona mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel combinando transferências à Maridt. Também há registros de conversas entre Toffoli e Vorcaro, que, segundo relatos, tratariam apenas de encontros sociais, sem menção a negócios.

A PF sustenta que o ministro deveria ser declarado suspeito para continuar como relator de processos relacionados ao Banco Master. A Corte ainda discute como proceder diante dos novos fatos.

Toffoli, no entanto, tem afirmado que:

  • Todas as transações foram declaradas à Receita Federal;

  • As vendas ocorreram a valor de mercado;

  • Ele desconhecia quem era o gestor do Fundo Arleen;

  • Nunca recebeu valores diretamente de Vorcaro ou de Fabiano Zettel;

  • A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a ele em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o grupo Tayayá.

Em meio à repercussão, Toffoli determinou que a PF encaminhe integralmente ao STF os laudos periciais dos celulares e mídias apreendidas no caso Master, incluindo dados telemáticos, informáticos e telefônicos.

A decisão atende pedidos das defesas dos investigados para acesso completo ao material.

Entenda o caso Master

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, entrou no radar das investigações após suspeitas de irregularidades financeiras. O caso envolve apurações sobre operações de compra, emissão de papéis e possível manipulação patrimonial.

O relatório da PF foi compartilhado por Fachin com outros ministros do STF, que agora avaliam se Toffoli deve ou não permanecer na relatoria do processo.

 

Leia, abaixo, a íntegra da nota de Toffoli:

"A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.

Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.

De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.

Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.

Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel."

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