
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Cliente Fantasma para investigar o banco BMP por suspeita de facilitar a lavagem de cerca de R$ 25 bilhões por meio de “clientes invisíveis”, incluindo organizações criminosas.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, na capital e em Barueri. Os alvos incluem a sede da instituição, o presidente Carlos Eduardo Benitez e o responsável pelo setor de compliance, Paulo Henrique Witter Soares.
Segundo a PF, embora autorizado a operar pelo Banco Central do Brasil, o banco teria permitido que clientes movimentassem valores sem a devida identificação formal, dificultando a fiscalização de atividades suspeitas.
A investigação aponta ainda que a instituição deixava de comunicar operações atípicas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que teria contribuído para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao regulador e lavagem de capitais.
Em nota, o BMP afirmou que está colaborando com as autoridades e fornecendo informações sobre operações antigas de ex-clientes que foram alvo da investigação. O banco informou ainda que segue operando normalmente.
O BMP já havia sido alvo do maior ataque hacker da história do Brasil, em junho de 2025, quando pelo menos R$ 541 milhões foram movimentados de forma fraudulenta.
Na ocasião, segundo a Polícia Civil de São Paulo, João Nazareno Roque teria facilitado transferências eletrônicas em massa. Ele foi preso. O banco informou à época que conseguiu recuperar R$ 18,7 milhões do total desviado, por meio de 166 transações via Pix.
A nova operação amplia a pressão sobre a instituição e coloca sob investigação o funcionamento interno dos mecanismos de controle e prevenção à lavagem de dinheiro.