
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixou a prisão nos Estados Unidos nesta quarta-feira (15), dois dias após ter sido detido por autoridades migratórias no estado da Flórida. A informação foi confirmada após o nome do político não constar mais no sistema de custódia do ICE.
Ramagem havia sido preso na segunda-feira (13), em Orlando, e encaminhado a um centro de detenção no Condado de Orange. Segundo autoridades locais, ele foi liberado às 14h52 no horário local (15h52 em Brasília). Até o momento, não há detalhes oficiais sobre as condições da soltura.
De acordo com a Polícia Federal, a detenção do ex-parlamentar ocorreu por irregularidades migratórias. O visto de turista de Ramagem estava vencido desde março, além de ele ter ingressado no país utilizando um passaporte diplomático já cancelado por decisão do Supremo Tribunal Federal.
A abordagem inicial teria ocorrido após uma infração de trânsito, o que levou à verificação da situação migratória e à posterior prisão pelo serviço de imigração norte-americano.
A Polícia Federal brasileira informou que segue em contato com autoridades dos Estados Unidos e aguarda novas informações sobre o caso.
No Brasil, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Segundo as investigações, ele integrava o núcleo central da articulação que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Após a condenação, o ex-deputado deixou o país em 2025. Investigações apontam que ele teria saído de forma clandestina pela fronteira de Roraima com a Guiana, antes de seguir para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição ao governo norte-americano. O nome de Ramagem também foi incluído na lista da Interpol por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o que possibilitou sua detenção no exterior.
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção nacional ao atuar na segurança de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
Posteriormente, foi nomeado diretor da Agência Brasileira de Inteligência, onde sua gestão passou a ser investigada por suposto uso da estrutura do órgão para monitoramento ilegal de adversários políticos — episódio que ficou conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, com cerca de 59 mil votos. No entanto, teve o mandato cassado em dezembro de 2025 após a condenação judicial.
Além disso, sofreu sanções como o bloqueio de vencimentos parlamentares e o cancelamento do passaporte diplomático.
Após a liberação, a esposa do ex-deputado, Rebeca Ramagem, publicou um vídeo nas redes sociais mostrando o reencontro dele com a família nos Estados Unidos.
Na publicação, ela afirmou que o momento representa “esperança” e que acredita que a Justiça será feita. A defesa de Ramagem ainda não detalhou quais serão os próximos passos jurídicos no caso.
Apesar da soltura, a situação de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos segue indefinida. O processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro continua em análise, e novas decisões podem ocorrer nos próximos dias.
O caso envolve cooperação internacional e deve avançar conforme os trâmites legais entre os dois países.