
A Prefeitura de Goiânia firmou um novo contrato com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) com valor estimado de até R$ 7,5 bilhões ao longo de cinco anos. O acordo prevê a execução de até 56 tipos de serviços urbanos, incluindo limpeza, paisagismo, coleta de resíduos e manutenção geral.
O novo contrato amplia significativamente o escopo em relação ao anterior, que previa 33 atividades. No entanto, a lista completa dos novos serviços ainda não foi divulgada pela administração municipal.
Apesar do valor total elevado, nem todos os serviços estão liberados automaticamente para execução. Uma resolução publicada no Diário Oficial do Município indica que o Comitê de Controle de Gastos aprovou o contrato com ressalvas.
O aval inicial contempla apenas os serviços considerados contínuos, descritos nos anexos I, II e III do contrato. Esses itens somam cerca de R$ 3,4 bilhões ao longo de cinco anos — o que representa aproximadamente R$ 699 milhões por ano e R$ 58,2 milhões por mês.
Já os serviços previstos nos anexos IV, V e VI — que incluem obras e atividades hoje realizadas por terceiros, como o Consórcio LimpaGyn — dependerão de autorização prévia do comitê antes da liberação de recursos.
Segundo a prefeitura, parte desses serviços já era realizada pela Comurg, mas não constava formalmente no contrato anterior, o que impedia a cobrança. Agora, eles passam a ser previstos oficialmente.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que o valor total do contrato não deve ser interpretado como gasto efetivo.
De acordo com ele, o modelo foi estruturado para dar flexibilidade à gestão municipal. Um exemplo citado é a coleta de lixo, que atualmente não será feita pela Comurg, mas permanece prevista contratualmente como alternativa futura.
“Está previsto no contrato, mas não significa que será executado agora. Se for necessário no futuro, temos essa possibilidade”, explicou o prefeito.
O teto anual do novo contrato praticamente dobra em relação ao modelo anterior, firmado em 2023 na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. O último reajuste desse contrato, publicado em abril de 2026, previa cerca de R$ 653 milhões por ano.
O novo acordo também supera estimativas iniciais. Em 2025, a previsão era de um contrato mensal em torno de R$ 50 milhões — valor abaixo do potencial atual.
A assinatura do contrato ocorre após um período de mais de um ano de reestruturação da Comurg. Em evento realizado na sede da companhia, o prefeito apresentou o que chamou de “nova fase” da empresa, com planos de ampliar a atuação, inclusive prestando serviços para outros entes públicos e privados.
Mabel também citou problemas históricos da companhia, como uso político e corrupção, como fatores que contribuíram para o acúmulo de dívidas bilionárias, que passaram por renegociação recente.
Apesar da assinatura ter sido anunciada, o contrato ainda não foi disponibilizado integralmente pela Prefeitura. Segundo a gestão, o texto passa por ajustes finais e ainda depende de assinaturas para publicação oficial.
A previsão é de que o documento seja divulgado nos próximos dias, embora, segundo o prefeito, o contrato já esteja em vigor.