
Subiu para 68 o número de mortos após os temporais que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais. Segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (27/2) pela Polícia Civil de Minas Gerais, são 62 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais segue com buscas em três frentes de trabalho. Ainda há desaparecidos nas duas cidades.
Juiz de Fora foi o município mais atingido pelo temporal entre segunda (23) e terça-feira (24). A cidade voltou a registrar chuvas fortes na quarta-feira (25), o que agravou a situação.
O Rio Paraibuna chegou a quatro metros de altura. O Hospital de Pronto Socorro teve o subsolo inundado, vias ficaram alagadas e houve novos deslizamentos e desabamentos, como nos bairros Vila Ideal e Três Moinhos.
Na quinta-feira (26), a prefeitura interditou trecho da avenida Presidente Itamar Franco por risco de novos deslizamentos. O município permanece em estado de calamidade pública e contabiliza mais de 4.200 pessoas desabrigadas ou desalojadas.
Moradores relataram que receberam alertas da Defesa Civil pouco antes da tragédia, mas afirmaram não ter recebido orientação prévia sobre como agir em emergências. Juiz de Fora é a quarta cidade do país com mais alertas emitidos neste ano e lidera o número de pessoas vivendo em áreas de risco: cerca de 128 mil.

Em meio à tragédia, dados mostram que o governo de Romeu Zema executou menos de 5% do orçamento previsto para obras de contenção de encostas entre 2021 e 2024.
Os projetos fazem parte do PAC 2012 e são financiados a fundo perdido pelo governo federal. Dos R$ 168 milhões programados em 2022, apenas R$ 2 milhões foram executados. Em 2023, a aplicação foi de 0,05%; em 2024, 4,42%. Em 2025, até abril, 0,26% do valor previsto havia sido usado.
Segundo o governo estadual, os projetos foram herdados com defasagens técnicas e problemas em licitações. A gestão afirma que prevê realizar quatro novas licitações ainda no primeiro semestre, com investimentos superiores a R$ 100 milhões.
O Ministério das Cidades informou que cumpre os repasses conforme aprovação técnica, cabendo aos estados e municípios elaborar projetos e executar as obras.
Enquanto as investigações e disputas administrativas avançam, a prioridade segue sendo o resgate de vítimas, o atendimento aos desabrigados e a estabilização das áreas de risco na Zona da Mata mineira.