
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou nesta segunda-feira (23) e anunciou um prazo adicional de cinco dias antes de qualquer ataque contra a infraestrutura energética do Irã. O ultimato havia sido estabelecido após Teerã fechar o Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Segundo Trump, autoridades americanas estariam em conversas com representantes iranianos para tentar resolver o impasse. O governo do Irã, no entanto, negou qualquer negociação direta e afirmou que apenas ouviu propostas por meio de intermediários.
A decisão de adiar o ataque provocou reação imediata no mercado. O preço do petróleo, que havia se aproximado de US$ 120 por barril na semana passada, caiu para cerca de US$ 100 após o anúncio.

A tensão entre Washington e Teerã se intensificou nas últimas semanas após o fechamento do Estreito de Hormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.
Segundo o comandante da crise no Irã, o país está preparado para retaliar caso seja atacado. Autoridades iranianas afirmaram que, em caso de ofensiva, infraestruturas energéticas de Israel e bases americanas na região poderiam se tornar alvos, além da possibilidade de mineração naval no Golfo Pérsico.
Trump afirmou que as conversas estariam sendo conduzidas por Steve Witkoff e Jared Kushner, seu genro e assessor. O presidente americano disse que espera um acordo que inclua a renúncia definitiva do Irã ao programa nuclear e até mesmo uma mudança de regime no país.
Teerã, porém, reagiu com ceticismo. Segundo a agência iraniana Mehr, o governo acredita que a proposta de negociação é uma tentativa dos Estados Unidos de ganhar tempo para reorganizar a ofensiva militar e reduzir a pressão no mercado internacional de petróleo.
O governo iraniano também afirmou que qualquer diálogo só ocorrerá se houver cessação das hostilidades e respeito à soberania do país.
O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado há cerca de três semanas, já provocou bombardeios intensos na região. Ataques recentes deixaram partes da capital iraniana, Teerã, sem eletricidade.
Enquanto isso, um grupo de 22 países, incluindo integrantes da Otan, Japão, Coreia do Sul e Austrália, anunciou que está coordenando esforços para garantir a reabertura da navegação no Estreito de Hormuz.
A comunidade internacional teme que a escalada militar provoque um choque no mercado global de energia, com impacto direto nos preços do petróleo e no comércio mundial.