
Um vídeo divulgado pela mídia estatal iraniana mostra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sendo ridicularizado em uma simulação feita com inteligência artificial — em mais um capítulo da guerra de narrativas entre os dois países.
No conteúdo, Trump aparece ao lado de autoridades americanas aguardando negociações com o Irã, enquanto faz ameaças semelhantes às que tem publicado durante o conflito. A cena é interrompida por um bilhete atribuído ao regime iraniano com a frase “Trump, cale a boca”. Em seguida, o presidente surge surpreso e anuncia a extensão do cessar-fogo, ao som de risadas, em tom de deboche.
A publicação ocorre logo após o líder norte-americano anunciar a prorrogação da trégua na guerra, medida que, segundo ele, atenderia a pedidos de mediadores internacionais para dar continuidade às negociações. O vídeo reforça a postura iraniana de desconfiança e ironia diante das declarações americanas, em um momento de impasse diplomático.
Apesar da extensão do cessar-fogo, o governo iraniano mantém críticas à postura dos EUA, especialmente em relação ao bloqueio naval na região do Estreito de Ormuz, que Teerã considera uma continuidade indireta do conflito.
Enquanto a disputa se intensifica no campo simbólico, o Irã também elevou o tom no campo militar. Na mesma noite em que o vídeo foi divulgado, o país exibiu um míssil balístico de médio alcance durante uma manifestação pró-regime na Praça Enghelab, em Teerã.
As imagens mostram multidões reunidas ao redor do armamento, identificado como o modelo Khorramshahr 4, considerado uma das principais peças do arsenal estratégico iraniano. A exibição ocorreu às vésperas do fim do cessar-fogo e em meio a ameaças da Guarda Revolucionária Islâmica, que afirmou estar em “pleno estado de prontidão” para reagir a qualquer ofensiva.
A demonstração militar reforça o contraste do atual cenário: enquanto negociações seguem abertas e a trégua é mantida formalmente, sinais de tensão continuam evidentes — tanto na retórica quanto na capacidade bélica apresentada publicamente pelo regime iraniano.