
A Polícia Federal prendeu em Goiânia a empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, suspeita de liderar um esquema de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo os investigadores, ela mantinha contato com coiotes responsáveis pela travessia ilegal na fronteira e organizava toda a logística das viagens.
De acordo com a PF, os grupos investigados movimentaram cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023. Somente a organização atribuída a Maria Helena teria movimentado aproximadamente R$ 45 milhões.
As investigações apontam que cada brasileiro pagava, em média, US$ 20 mil para entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Em cinco anos, pelo menos 477 pessoas teriam sido levadas ao país, embora a polícia acredite que o número real seja ainda maior.
Segundo a Polícia Federal, Maria Helena atuaria há mais de 20 anos no agenciamento de migrantes ilegais para os EUA por meio de rotas que passavam pelo México e Panamá.
Os investigadores afirmam que os grupos funcionavam de maneira estruturada, com integrantes no Brasil e no exterior responsáveis pelo suporte logístico, recepção dos migrantes e movimentação financeira do esquema.
A polícia também identificou suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e laranjas para ocultar os valores obtidos com as viagens ilegais.
Maria Helena passou a ser investigada em 2022, após um grupo de migrantes ser abordado no aeroporto de Congonhas e citar o nome dela durante depoimentos.
Além dela, outras três pessoas foram presas em Goiânia. No Amapá, dois investigados considerados chefes de organizações criminosas seguem foragidos e tiveram inclusão solicitada na lista da Interpol.
Os presos responderão por promoção de migração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 23 anos de prisão.
Maria Helena é sogra do vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Segundo a Polícia Federal, nem ele nem a esposa são investigados no caso.
Durante a operação, o marido de Maria Helena também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Agentes federais ainda estiveram em um endereço ligado à filha do casal, Aline Neto Leão.
Após audiência de custódia, os presos foram encaminhados ao sistema prisional.
" A defesa da Sra. Maria Helena de Souza Netto Costa vem a público esclarecer, com a serenidade que o momento exige, que sua constituinte recebeu com surpresa as medidas cautelares deflagradas em seu desfavor e aguarda o pleno acesso aos autos para análise técnica dos fatos, na forma da Súmula Vinculante nº 14 do STF.
Registra-se, desde já, a absoluta desnecessidade da prisão preventiva decretada, medida de natureza excepcional cujos requisitos legais (art. 312 do CPP) não se fazem presentes na hipótese. Nossa constituinte não apresenta qualquer risco à ordem pública, à conveniência da instrução criminal ou à aplicação da lei penal, tampouco jamais se furtou a qualquer ato investigatório. As providências para o imediato restabelecimento de sua liberdade já se encontram em curso.
A defesa reafirma confiança no Poder Judiciário e lamenta a divulgação seletiva de informações sigilosas. Colocamo-nos à disposição.
Goiânia, 07 de maio de 2026.
Luiz Inácio Medeiros Barbosa
Jorge Augusto dos Reis
Guilherme Alves Machado"
"O caso envolvendo a senhora Maria Helena de Souza Costa não tem absolutamente nenhuma relação com o governador Daniel Vilela e com sua mulher, Iara Netto Vilela. São fatos investigados desde meados dos anos 2000, segundo divulgou a própria Polícia Federal, e não envolvem em nenhum momento o governador ou o governo de Goiás."