
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que pretende responder às críticas e medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil com dados e argumentos, e não com confronto direto. Durante visita ao observatório de monitoramento da Amazônia, em Brasília, Lula disse que sua “guerra” é provar que o Brasil está certo e que os norte-americanos estão equivocados em suas acusações.
Segundo o presidente, ele não deseja conflitos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas defendeu uma relação baseada no respeito entre os dois países.
“Eu não quero guerra com você. A minha guerra é narrativa. Minha guerra é provar que estamos certos e vocês estão errados”, afirmou Lula. O presidente também disse que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, mas não para agir como “imperador do mundo”.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países. Recentemente, o governo norte-americano propôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, citou questões ambientais como justificativa para as medidas comerciais e ampliou críticas relacionadas ao combate ao crime organizado e ao sistema de pagamentos Pix.
Durante o evento, Lula acompanhou a apresentação de dados sobre a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que as informações serão enviadas ao Departamento de Comércio e ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo ele, os números demonstram os esforços do Brasil na preservação ambiental e servirão para contestar as acusações feitas pelos norte-americanos. O governo dos EUA argumenta que o Brasil falhou historicamente na fiscalização do desmatamento ilegal, apesar de possuir legislação para combater a prática.
“Nós vamos comparar o que acontece no Brasil e o que acontece nos Estados Unidos”, afirmou o presidente.
Lula também defendeu uma comparação entre as leis trabalhistas dos dois países. Segundo ele, o Brasil possui avanços na proteção dos trabalhadores que precisam ser considerados durante as negociações internacionais.
“Temos defeitos, mas eu quero comparar o direito dos trabalhadores brasileiros com o direito dos trabalhadores americanos”, declarou.
O presidente concluiu afirmando que o Brasil continuará buscando diálogo, mas sem abrir mão de defender suas políticas ambientais, trabalhistas e econômicas diante das críticas feitas pelo governo norte-americano.