
A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no G7, realizado em Évian-les-Bains, na França, foi marcada por um novo capítulo do embate diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Após encontros informais durante a cúpula, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a situação política brasileira se tornou “perigosa”, ao comentar a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
Questionado por jornalistas sobre sua relação com Lula e sobre as recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, Trump afirmou ter passado algum tempo com o presidente brasileiro durante o evento.
Segundo Trump, o ex-deputado estaria sendo perseguido politicamente por suas declarações feitas nos Estados Unidos. O presidente americano também voltou a levantar suspeitas, sem apresentar provas, sobre a lisura das eleições americanas.
A troca de declarações acontece em meio ao desgaste das relações entre os dois países. Nos últimos meses, o governo Trump anunciou uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros e intensificou críticas ao Judiciário brasileiro. Além disso, Washington classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e adotou medidas contra autoridades brasileiras, justificadas pelo governo americano como resposta a decisões consideradas abusivas contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise ganhou força após articulações de Eduardo Bolsonaro e aliados junto a setores do governo norte-americano. Segundo entendimento do STF, essas ações tinham o objetivo de pressionar autoridades brasileiras e interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Durante a cúpula, Lula evitou confrontos diretos com Trump, mas respondeu às declarações do presidente americano. Em entrevista coletiva, afirmou que o republicano tem direito às suas preferências políticas, mas não deve interferir em assuntos internos do Brasil.
“Ele pode gostar do Bolsonaro, do pai, do filho ou do neto. O problema é dele. Agora, não se meta nas eleições do Brasil”, declarou Lula.
O presidente brasileiro também criticou a postura de Trump nas relações internacionais e afirmou que o norte-americano continua agindo “como um imperador”. Segundo Lula, as negociações sobre tarifas seguem sendo conduzidas por ministros e equipes técnicas dos dois governos.
Além das discussões envolvendo os Estados Unidos, Lula também se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. O encontro, que durou cerca de 40 minutos, ocorreu a pedido do líder ucraniano e teve como foco a guerra entre Ucrânia e Rússia.
Segundo Lula, foram discutidas possibilidades de cessar-fogo e alternativas diplomáticas para encerrar o conflito. Os dois líderes concordaram em manter novos contatos nas próximas semanas.
O presidente brasileiro também teve reunião bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, reforçando a estratégia do governo de ampliar parcerias comerciais e diplomáticas em meio às tensões com os Estados Unidos.