
O presidente da França, Emmanuel Macron, saiu em defesa da decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A declaração foi feita nesta quarta-feira (17), durante entrevista coletiva de balanço da Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
Questionado sobre a medida adotada pela Comissão Europeia, Macron afirmou que o comissário europeu responsável pela Agricultura está apenas cumprindo seu papel de fiscalizar o cumprimento das normas sanitárias exigidas pelo continente.
Segundo o presidente francês, as restrições têm como objetivo proteger os consumidores europeus e garantir que todos os produtos comercializados no bloco sigam os mesmos padrões de qualidade e segurança.
Durante a entrevista, Macron argumentou que os produtores rurais europeus são submetidos a regras rigorosas e que não seria justo permitir a entrada de produtos que não atendam aos mesmos critérios.
“É uma decisão pontual do comissário europeu, que faz bem o seu trabalho. Ele verifica se as regras sanitárias que protegem os consumidores são respeitadas e, quando não são, adota controles. Foi o que eu sempre defendi”, afirmou.
O líder francês também questionou o uso de determinados medicamentos na produção pecuária fora da Europa.
“Estamos numa região com grande potencial agrícola. Como vocês querem que eu diga aos meus produtores que não têm autorização para usar um ou outro antibiótico e, ao mesmo tempo, importar carne do outro lado do mundo produzida com esses produtos?”, declarou.
A posição de Macron reforça uma antiga divergência entre França e Mercosul. O governo francês tem sido um dos principais opositores do acordo de livre comércio entre os dois blocos, especialmente devido à pressão exercida pelos produtores rurais franceses.
Os agricultores da França argumentam que a ampliação das importações de carne sul-americana pode gerar concorrência desleal, já que as exigências ambientais e sanitárias impostas aos produtores europeus são mais rígidas.
A declaração ocorre em um momento de tensão comercial entre Brasil e União Europeia. O governo brasileiro tem buscado reverter as restrições impostas pelo bloco e ampliar o acesso dos produtos nacionais ao mercado europeu, tema que também foi discutido durante os encontros bilaterais entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes europeus durante o G7.
O Brasil considera o mercado europeu estratégico para as exportações do agronegócio e tem defendido que o país atende aos requisitos internacionais de produção e rastreabilidade.
A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal é vista pelo governo brasileiro como uma medida que pode impactar o setor e dificultar o avanço das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia.
Apesar das divergências, as conversas sobre o acordo comercial seguem em andamento, enquanto produtores e governos dos dois lados tentam chegar a um entendimento sobre as exigências sanitárias e ambientais que envolvem o comércio internacional de alimentos.