
A investigação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de um impasse político e eleitoral. Embora aliados avaliem que o afastamento do parlamentar da liderança poderia reduzir o desgaste do governo, a decisão envolve riscos para a estratégia petista na Bahia, um dos principais redutos eleitorais de Lula.
Segundo relatos de bastidores, o presidente considera que o cenário ideal seria uma saída voluntária de Jaques do posto para que ele pudesse concentrar esforços em sua defesa e em sua campanha à reeleição. No entanto, Lula teme que um rompimento ou desgaste com o aliado histórico enfraqueça o palanque petista no estado, considerado decisivo para a vitória presidencial de 2022.
Jaques Wagner, por sua vez, tem afirmado a interlocutores que não pretende deixar o cargo por iniciativa própria. Caso haja mudança na liderança do governo, ele espera que a decisão parta diretamente do presidente.
A expectativa é de que Jaques se reúna com Lula nos próximos dias em Brasília. Enquanto isso, cresce dentro do Palácio do Planalto a avaliação de que uma troca na liderança pode ser necessária para reduzir o impacto político das investigações.
Nos bastidores, o nome mais cotado para assumir a função é o do senador Camilo Santana (PT-CE). A escolha teria como vantagem o fato de o parlamentar não disputar as eleições deste ano, permitindo dedicação integral à articulação política do governo no Congresso.
A pressão também passou a vir de integrantes do próprio PT. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, defendeu publicamente que Jaques se afaste da liderança enquanto responde às investigações.
Segundo o parlamentar, a medida seria necessária para preservar a imagem do governo, sem desrespeitar a presunção de inocência do senador.
A nova fase da Operação Compliance Zero teve como alvo principal Jaques Wagner e outros investigados ligados ao caso Banco Master. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e encontrou cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços relacionados ao senador.
A operação causou desconforto entre aliados do petista. De acordo com relatos, a porta do apartamento de Jaques foi arrombada durante o cumprimento do mandado, e a divulgação de imagens do dinheiro apreendido também gerou irritação no entorno do senador.
Após a ação da PF, Lula telefonou para Jaques e o incentivou a se defender publicamente das suspeitas. O gesto foi interpretado como demonstração de apoio político, embora integrantes do governo tenham avaliado que o senador não deveria ter usado a solidariedade do presidente como argumento público em sua defesa.
A investigação segue em andamento e apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Jaques Wagner nega irregularidades e afirma que irá esclarecer todos os fatos durante o andamento do processo.