
Um contrato de cerca de US$ 20 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 102 milhões, firmado entre a empresa de apostas PixBet e o escritório do advogado Nelson Wilians está entre os alvos da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13).
O valor corresponde a honorários advocatícios pagos pela empresa. Segundo a investigação, o contrato foi firmado em 2022, durante o processo de regulamentação das apostas no Brasil.
A PF investiga a suspeita de que Wilians teria atuado como operador financeiro ligado às empresas de apostas e colaborado em um esquema envolvendo ocultação de patrimônio, omissão de rendimentos e sonegação de impostos.
A defesa nega as acusações e afirma que os valores correspondem a serviços jurídicos efetivamente prestados, como preparação de documentos, análise de requisitos de editais e apresentação de ações judiciais em favor da empresa.
A 4ª Vara Federal da Paraíba expediu 17 mandados de busca e apreensão, além de autorizar quebra de sigilos telemático e bancário e medidas para o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens.
As ações foram realizadas na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual de cada um, por crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
Um dos elementos analisados pelos investigadores é um helicóptero que teria se tornado um dos pontos de ligação entre Wilians e empresários do setor de apostas investigados.

Apelidada de “betcóptero”, a aeronave teria sido adquirida pelo escritório de Wilians por US$ 5,5 milhões. O contrato, de outubro de 2024, previa uma entrada de US$ 550 mil e outras nove parcelas do mesmo valor.
Além do helicóptero, carros importados de alto valor também aparecem nas investigações envolvendo o advogado. Em outra apuração, relacionada ao suposto esquema de créditos falsos de ICMS, investigadores afirmam que veículos importados e deslocamentos de helicóptero eram utilizados para transmitir credibilidade durante compromissos com potenciais clientes.

Na Operação Arena, a investigação aponta ainda transferências de R$ 9,8 milhões e apura uma possível “confusão patrimonial” relacionada aos donos das empresas PixBet e PixStar.
O advogado Santiago Schunck, que representa Nelson Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet decorre exclusivamente da prestação de serviços advocatícios.
Segundo a defesa, a atuação dos advogados não pode ser confundida com as atividades empresariais desenvolvidas pelos clientes. O escritório também afirma que é necessário evitar a criminalização do exercício da advocacia em razão das condutas atribuídas às empresas representadas.
Wilians já havia sido alvo de outra operação em julho, desta vez relacionada a uma investigação sobre suposta comercialização de créditos falsos de ICMS em São Paulo.
Nesse caso, as autoridades investigam um esquema que teria provocado R$ 3,8 bilhões em sonegação de créditos tributários. Um dos núcleos apurados é relacionado a um grupo econômico ligado ao advogado.
Na ocasião, o escritório de Wilians afirmou que as operações investigadas eram de responsabilidade de outro escritório parceiro e que, após identificar inconsistências, encerrou a parceria e comunicou seus clientes.