
O desabamento de uma mina de ouro deixou pelo menos 60 pessoas mortas no estado de Kordofan Ocidental, no Sudão. O acidente ocorreu no domingo (13), e um grupo local de direitos humanos alertou nesta quarta-feira (16) que ainda pode haver trabalhadores vivos presos no subsolo.
O Observatório de Kordofan estima que cerca de 70 pessoas estejam mortas ou desaparecidas. O desabamento atingiu diferentes poços de mineração próximos à mina de al-Zara, a noroeste da cidade de al-Nuhud.
Segundo relatos reunidos pelo grupo, um sobrevivente conseguiu sair da mina na terça-feira (15) e informou que outras pessoas ainda estariam vivas no subsolo.
O Observatório de Kordofan afirmou que equipes especializadas de resgate ainda não haviam chegado ao local e fez um apelo para que uma operação fosse realizada com urgência.
Moradores tentam procurar possíveis sobreviventes, mas o solo arenoso e instável dificulta o trabalho e aumenta o risco de novos desabamentos.
Fontes ouvidas pela agência Reuters atribuíram o elevado número de vítimas à falta de procedimentos adequados de segurança e de equipamentos para operações de resgate.
As informações sobre pessoas ainda presas são baseadas em relatos locais e não haviam sido confirmadas de forma independente.
O Sudão está entre os principais produtores de ouro da África, mas uma parcela significativa da atividade ocorre por meio da mineração artesanal, frequentemente realizada em condições precárias de segurança.
Parte da produção também deixa o país por meio do contrabando.
Em meio à guerra civil sudanesa, o comércio de ouro tornou-se uma importante fonte de financiamento. As Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que combate as Forças Armadas do Sudão, obtêm receitas ligadas à exploração e ao comércio do minério.
O país enfrenta uma guerra desde abril de 2023, conflito que agravou a crise humanitária e reduziu a capacidade de resposta do Estado em diferentes regiões.