
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16), em Washington, com integrantes do governo de Donald Trump para defender novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos mencionados estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A principal reivindicação é que Moraes volte à lista de sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, com base na Lei Global Magnitsky.
Moraes havia sido sancionado pelo governo americano em julho de 2025. A medida foi retirada no fim daquele ano, após uma reaproximação diplomática entre os governos brasileiro e norte-americano.
Segundo Paulo Figueiredo, ele e Eduardo defenderam durante o encontro que também sejam adotadas medidas contra Flávio Dino e Gilmar Mendes.
As alegações apresentadas pelos dois aos representantes americanos refletem a posição defendida por eles e não significam que o governo dos Estados Unidos tenha decidido aplicar novas sanções.
Antes mesmo da reunião desta quarta-feira, integrantes da administração Trump já avaliavam possíveis medidas contra autoridades brasileiras, mas não havia cronograma definido para eventual adoção. A decisão final sobre novas sanções cabe ao governo americano.
A agenda de Eduardo e Figueiredo ocorre um dia depois da sessão extraordinária do STF que discutiu desdobramentos do caso Banco Master.
Na terça-feira (15), o Supremo iniciou a análise de uma petição relacionada a um relatório da Polícia Federal que reúne supostas mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e um contato identificado como Alexandre de Moraes.
O julgamento, no entanto, ficou concentrado em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para definir se esse procedimento deveria ser analisado conjuntamente com outro caso envolvendo questionamentos sobre a atuação de André Mendonça.
A discussão terminou sem uma definição depois que Flávio Dino pediu vista. O ministro tem até 90 dias para devolver o processo para julgamento.
Com a interrupção, o STF ainda precisa definir se os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça serão analisados conjuntamente ou de forma separada antes de avançar sobre as demais questões.
A Lei Global Magnitsky permite que o governo dos Estados Unidos imponha sanções econômicas a estrangeiros que considere envolvidos em graves violações de direitos humanos ou atos de corrupção.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo vêm defendendo há meses que o governo Trump volte a utilizar o mecanismo contra Moraes. A iniciativa ocorre durante a campanha presidencial brasileira, na qual Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, disputa a Presidência pelo PL.
Até o momento, não há anúncio oficial de uma nova sanção americana contra os ministros citados.