
Brasil e Estados Unidos vivem nesta quarta-feira (16) mais uma “superquarta”, como é conhecido o dia em que Banco Central (BC) e Federal Reserve (Fed) anunciam decisões de política monetária. A expectativa do mercado é de redução dos juros brasileiros e aumento da taxa norte-americana.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerra a reunião iniciada na terça-feira (15) e deve divulgar a decisão sobre a Selic a partir das 18h30.
A projeção predominante no mercado é de corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Caso a previsão se confirme, será a quinta redução consecutiva da Selic, que atingiria o menor patamar desde o início de 2025.
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14), que reúne estimativas de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, aponta uma Selic de 13,25% ao final de 2026.
Depois da reunião desta quarta-feira, o Copom ainda terá outros dois encontros neste ano: em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. Juros mais elevados tendem a reduzir o consumo e o crédito, enquanto cortes podem estimular a atividade econômica.
Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,32%. A inflação acumulada está em 3,11% no ano e em 4,22% nos últimos 12 meses.
A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Nos Estados Unidos, a expectativa do mercado é de movimento contrário.
Projeções reunidas pela ferramenta FedWatch, do CME Group, apontam majoritariamente para uma elevação de 0,25 ponto percentual, levando os juros para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Se confirmada, será a primeira alta promovida pelo Federal Reserve desde julho de 2023.
A decisão ocorre em um cenário de pressão sobre os preços nos Estados Unidos, especialmente diante da alta do petróleo e dos efeitos sobre energia e combustíveis.
Em agosto, a inflação ao consumidor norte-americano avançou 0,4% na comparação mensal. Em 12 meses, chegou a 3,4%, acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.
As decisões dos dois bancos centrais são acompanhadas pelos mercados porque influenciam crédito, investimentos, câmbio e o fluxo de recursos entre países.