
Depois de semanas marcadas por resultados ruins, pressão e problemas financeiros, o Goiás chega à reta final da Série B encontrando motivos para voltar a acreditar. A situação continua difícil, mas duas vitórias consecutivas, uma mudança importante na maneira de jogar e o histórico de arrancadas do técnico Mozart devolvem esperança ao torcedor esmeraldino.
O Verdão ocupa a nona colocação, com 48 pontos, restando apenas cinco partidas. O próximo compromisso será contra o Náutico, na segunda-feira (19), às 19h30, no Estádio Hailé Pinheiro, a Serrinha, pela 34ª rodada. Globo Esporte
É justamente diante do Náutico que Mozart completa praticamente um turno desde sua chegada ao Goiás. E o retrospecto recente do treinador em finais de Série B ajuda a alimentar uma missão que, matematicamente, continua complicada.
Fora de campo, o Goiás tenta solucionar um dos problemas que mais desgastaram o ambiente nas últimas semanas: os atrasos financeiros.
O Conselho Deliberativo foi convocado para uma reunião extraordinária nesta sexta-feira (16) para analisar uma nova operação de crédito de R$ 22 milhões. O objetivo é reforçar o caixa e regularizar compromissos financeiros, incluindo pendências salariais. Goiânia Urgente
Mas existe uma diferença importante: até o fechamento desta matéria, não há confirmação pública de que os R$ 22 milhões já tenham entrado no caixa ou de que todos os salários tenham sido quitados nesta sexta-feira.
As informações disponíveis apontam que, caso a operação seja aprovada e formalizada, a expectativa é de liberação dos recursos na próxima semana. Portanto, não seria correto tratar neste momento a dívida salarial como resolvida. Cidade FM
O clube já havia conseguido realizar pagamentos parciais em setembro, quando quitou parte da folha de funcionários e um direito de imagem dos atletas, mas ainda permaneceram pendências. Mais Goiás
A possível solução financeira, se concretizada, pode ter importância que vai além das contas.
Em uma reta final tão curta, reduzir as preocupações extracampo e devolver estabilidade ao elenco pode ajudar o Goiás a concentrar todas as energias nas cinco decisões restantes.
Dentro de campo, pelo menos, os sinais recentes são mais concretos.
O Goiás venceu seus dois últimos jogos, superando o Athletic Club por 2 a 1 na Serrinha e depois derrotando o Operário-PR por 2 a 0 fora de casa. Goia Sec
A reação coincidiu com uma alteração importante promovida por Mozart.
O treinador abandonou a estrutura que vinha utilizando e passou a explorar uma formação com dois atacantes, dando maior liberdade para movimentações ofensivas e aproximando jogadores do setor de criação.
A mudança ajudou o Goiás a encontrar uma dinâmica que estava faltando.
Contra o Operário, especialmente, a equipe conseguiu combinar melhor seu meio-campo com o ataque e voltou de Ponta Grossa com uma vitória por 2 a 0.
Ainda é cedo para dizer que todos os problemas foram solucionados. Mas existe uma diferença importante em relação às semanas anteriores:
o Goiás voltou a vencer justamente quando não podia mais perder tempo.
E é aqui que aparece talvez o principal argumento para quem ainda acredita.
Mozart acumulou nos últimos anos campanhas muito fortes justamente nas dez rodadas finais da Série B.
No Mirassol, em 2023, chegou a 76,6% de aproveitamento, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
No Guarani, em 2022, foram 73,3%. No CSA, em 2021, 66,7%.
Mais recentemente, registrou 70% de aproveitamento nas dez rodadas finais tanto pelo Mirassol, em 2024, quanto pelo Coritiba, em 2025.
Não significa que o roteiro obrigatoriamente se repetirá em Goiânia.
Mas demonstra que o treinador possui experiência em administrar exatamente o tipo de cenário que o Goiás enfrenta agora: poucos jogos, margem mínima para erro e necessidade de uma sequência forte de resultados.
O duelo diante do Náutico também representa um marco no trabalho do treinador.
Mozart já estava acompanhando a equipe das tribunas no confronto do primeiro turno contra o próprio Náutico, nos Aflitos, antes de sua estreia oficial à beira do campo.
Desde então, são nove vitórias, três empates e sete derrotas, com aproximadamente 52% de aproveitamento.
O desempenho não foi suficiente para colocar o Goiás entre os primeiros colocados, mas a sequência recente mudou novamente o ambiente.
Nas últimas cinco partidas, são três vitórias e duas derrotas.
Agora não existe mais espaço para grandes oscilações.
A esperança também encontra argumento na própria história recente do clube.
Em 2024, o Goiás venceu as últimas sete partidas consecutivas da Série B e terminou com 63 pontos.
Mesmo assim, ficou na sexta posição e, pelo regulamento daquela temporada, não conseguiu o acesso.
Em 2025, novamente terminou em sexto, desta vez com 61 pontos.
Com o regulamento adotado em 2026, que classifica do terceiro ao sexto colocado para os playoffs, ambas as campanhas teriam mantido o Goiás na disputa pelo acesso.
O desafio agora é conseguir chegar novamente a essa faixa.
O caminho está definido.
O Goiás ainda enfrenta Náutico, Ceará, CRB, Ponte Preta e Sport.
São três partidas na Serrinha e duas fora de casa.
A primeira delas, contra o Náutico, ganhou enorme importância porque uma terceira vitória consecutiva pode transformar aquilo que hoje ainda parece uma reação inicial em uma verdadeira arrancada.
A matemática continua desfavorável. Modelos de probabilidades ainda colocam o Goiás com chances reduzidas de alcançar o G-6.
Mas futebol não é disputado por porcentagens.
O Goiás finalmente reencontrou as vitórias, Mozart possui histórico de crescimento justamente nas últimas rodadas e existe uma tentativa concreta da direção para solucionar as pendências financeiras que pesaram sobre o elenco.
Nenhum desses fatores garante o acesso.
Juntos, porém, eles criam um cenário diferente daquele vivido pelo clube poucas semanas atrás.
Para o Goiás, a missão agora é transformar esperança em sequência.
E a primeira das cinco finais será segunda-feira, às 19h30, contra o Náutico, na Serrinha.
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