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México suspende importação de produtos avícolas do Brasil

Medida foi adotada após confirmação de um foco da doença de Newcastle em granja de Santa Catarina; restrição afeta carne de frango, ovos férteis e outros produtos avícolas

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
20/10/2026 às 17h01
México suspende importação de produtos avícolas do Brasil
Foto: Reprodução

O México suspendeu a importação de produtos avícolas do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (19) pelas autoridades sanitárias mexicanas e tem como objetivo impedir a entrada do vírus no país e proteger a produção local de aves.

A medida foi adotada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México (SADER) e pelo Serviço Nacional de Saúde, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (SENASICA), após o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil confirmar a presença da doença no estabelecimento catarinense.

A suspensão permanecerá em vigor enquanto as autoridades mexicanas avaliam a situação sanitária e as medidas de controle adotadas pelo Brasil.

Quais produtos estão proibidos?

A restrição abrange diferentes produtos de origem avícola, incluindo carne de aves, miúdos, ovos férteis e pintinhos de até três dias de idade.

Também estão incluídas determinadas categorias de aves vivas, como aves ornamentais, canoras e de rapina destinadas à comercialização, além de algumas aves transportadas como animais de estimação.

A proibição vale tanto para importações comerciais quanto para produtos avícolas transportados por viajantes que entram no território mexicano.

Para aplicar a medida, o SENASICA suspendeu a validade dos documentos de requisitos zoossanitários referentes aos produtos atingidos. Na prática, isso impede a entrada desses itens no México enquanto as restrições estiverem em vigor.

O que é a doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres.

Nas aves, pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, queda na produção de ovos e mortalidade elevada, dependendo da variante do vírus e das condições sanitárias.

A confirmação de um foco em uma granja comercial exige medidas de controle para impedir a disseminação da doença, além da comunicação às autoridades sanitárias e aos parceiros comerciais.

Essas ocorrências podem provocar restrições temporárias às exportações, conforme os acordos sanitários estabelecidos entre os países.

México é um dos principais compradores do frango brasileiro

A decisão mexicana preocupa o setor avícola brasileiro devido à importância do país como destino das exportações.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 244,39 mil toneladas de carne de frango para o México em 2025, colocando o país na sétima posição entre os principais compradores do produto brasileiro.

O Brasil responde por aproximadamente 30% das importações mexicanas de carne de frango, conforme os dados apresentados pelo setor.

No mercado internacional, o país exportou cerca de 5,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, destinadas a 153 países.

As vendas geraram receita de aproximadamente US$ 9,8 bilhões e representaram 34,82% da produção brasileira.

A suspensão mexicana poderá afetar os embarques destinados ao país enquanto permanecerem as restrições sanitárias.

China também poderá restringir compras

Outro mercado que acompanha a situação é a China, um dos principais destinos da carne de frango brasileira.

De acordo com a ABPA, os acordos sanitários entre Brasil e China preveem a suspensão preventiva de embarques em determinadas situações de ocorrência de doenças avícolas.

O presidente da associação, Ricardo Santin, explicou que, após a comunicação do foco, as autoridades chinesas costumam avaliar se a restrição será mantida para todo o Brasil ou limitada à região ou ao estado afetado.

A extensão das medidas dependerá das avaliações sanitárias e das regras previstas nos acordos comerciais.

O próximo passo será o acompanhamento das ações de controle em Santa Catarina e das negociações entre as autoridades brasileiras e os países importadores para uma eventual retomada das exportações.

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