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Governo prepara criação do Ministério da Segurança

Nova pasta deve ser criada após a promulgação da PEC da Segurança; Casa Civil já recebeu propostas para reorganizar o Ministério da Justiça, mas estrutura e comando ainda não foram definidos

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
04/11/2026 às 15h03
Governo prepara criação do Ministério da Segurança
Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma medida provisória (MP) para criar o Ministério da Segurança Pública ainda em 2026. A iniciativa deve avançar após a promulgação da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado na terça-feira (3). Segundo informações divulgadas pelo SBT News nesta quarta-feira (4), a Casa Civil já recebeu propostas do Ministério da Justiça sobre a divisão das estruturas administrativas, mas o formato definitivo da nova pasta ainda não foi decidido. 

A expectativa de integrantes do governo é que a medida provisória seja editada ainda neste ano, embora o início efetivo do funcionamento do ministério possa ocorrer em 2027. A criação da pasta é uma promessa de campanha de Lula, que defende uma atuação mais integrada do governo federal no combate ao crime organizado.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) deverá servir como base para o novo ministério. Outras estruturas atualmente vinculadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública também poderão ser transferidas, dependendo da configuração escolhida pelo presidente.

Governo ainda discute quais secretarias serão transferidas

A principal dúvida envolve a distribuição das responsabilidades que hoje estão concentradas no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entre as estruturas em discussão estão a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), responsável por políticas relacionadas ao sistema penitenciário, e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad).

Ainda não há definição sobre a transferência dessas secretarias para o futuro ministério ou sua permanência na estrutura do Ministério da Justiça.

Segundo a apuração do SBT News, a Casa Civil analisa as sugestões encaminhadas pela atual pasta para estabelecer como ocorrerá a reorganização administrativa.

A medida provisória deverá definir o organograma do novo ministério, incluindo as secretarias e os departamentos que ficarão sob sua responsabilidade.

A escolha da sede e outros detalhes de funcionamento também deverão ser discutidos após a definição do ministro responsável pela nova estrutura.

Quem poderá assumir o Ministério da Segurança Pública?

O presidente Lula ainda não anunciou quem comandará o novo ministério.

Em entrevista ao SBT News, em outubro, o presidente afirmou que já tinha um nome em mente, mas não revelou sua escolha.

Entre os possíveis indicados está o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação em investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Gakiya deverá se aposentar do Ministério Público em dezembro e passou a ser mencionado nas especulações sobre a nova pasta.

Apesar disso, ele afirmou ao SBT News que não recebeu convite para integrar o governo.

“Por enquanto somente especulação. Não fui convidado”, declarou.

Outro nome citado é o do atual secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, que participa da estrutura responsável pelas políticas de integração das forças policiais.

Após a aprovação da PEC da Segurança, Chico Lucas destacou nas redes sociais a importância das mudanças previstas no texto.

Segundo ele, a proposta “fortalece o financiamento da segurança pública, amplia a integração entre as forças policiais e estabelece medidas mais rigorosas contra facções e milícias”.

Nenhum dos nomes mencionados foi oficialmente confirmado pelo Palácio do Planalto.

Aprovação da PEC abre caminho para nova estrutura

A preparação do ministério ganhou força após a aprovação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) pelo Senado Federal.

Na terça-feira (3), a proposta recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários.

O texto foi aprovado sem alterações de mérito em relação à versão analisada pela Câmara dos Deputados e agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional. 

A PEC estabelece novas regras para ampliar a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios no enfrentamento à criminalidade.

Entre as medidas está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, fortalecendo o compartilhamento de informações, as operações conjuntas e a integração entre os órgãos responsáveis pela segurança pública.

A proposta também prevê mecanismos mais rigorosos contra facções criminosas e milícias, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estabelece garantias de financiamento para o setor.

Para o governo, a mudança constitucional cria condições para ampliar a coordenação federal das políticas de segurança.

Novo ministério terá foco no combate ao crime organizado

A futura estrutura deverá concentrar ações relacionadas ao enfrentamento das facções criminosas, à integração das forças policiais e à formulação de políticas nacionais de segurança pública.

A proposta é reforçar a articulação entre os diferentes órgãos envolvidos na prevenção e na repressão à criminalidade.

Entre eles estão a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias estaduais, os corpos de bombeiros e as guardas municipais, respeitadas as competências de cada instituição.

A criação do ministério não significa que todas essas corporações passarão a ser subordinadas diretamente à União. A organização deverá observar a autonomia dos estados e municípios prevista na Constituição.

O governo também precisará definir como serão distribuídos os servidores, os recursos orçamentários e as atribuições administrativas entre o Ministério da Justiça e a nova pasta.

Criação pode ocorrer em 2026, com funcionamento em 2027

Embora integrantes do governo trabalhem com a possibilidade de editar a medida provisória ainda neste ano, a instalação completa do ministério poderá ficar para 2027, no início do novo mandato de Lula.

A reorganização dependerá da definição do comando da pasta, da transferência das estruturas administrativas e da distribuição dos recursos necessários ao funcionamento.

Por se tratar de uma medida provisória, o ato poderá produzir efeitos após sua publicação, conforme as disposições do texto, mas precisará ser analisado pelo Congresso Nacional para se converter definitivamente em lei.

A expectativa do Planalto é aproveitar a aprovação da PEC da Segurança para avançar na criação de uma estrutura federal dedicada exclusivamente ao setor. A escolha do futuro ministro e a definição das secretarias que integrarão a nova pasta serão os próximos passos dessa reorganização.

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