
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou que a plataforma utilizada para arrecadar contribuições de R$ 50 de seus seguidores cancelou a iniciativa e reembolsou os participantes. Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira (3), Zambelli afirmou desconhecer o motivo da suspensão e informou que passará a receber doações por meio de uma plataforma internacional para custear sua permanência na Itália.
A campanha havia sido criada para ajudar a ex-parlamentar a enfrentar dificuldades financeiras que, segundo ela, impedem sua manutenção no país europeu. A proposta inicial previa a cobrança de R$ 50 mensais dos participantes de uma comunidade virtual, que receberiam conteúdos exclusivos produzidos por Zambelli.
No novo vídeo, a ex-deputada relatou que perdeu o acesso à comunidade e que a página passou a mostrar a ausência de inscritos.
“Todas as inscrições foram devolvidas, foram reembolsadas e foram canceladas. A plataforma foi cancelada também. Eu tive um acesso, mas mostra zero inscritos”, afirmou.
Até o momento, não foi divulgado o motivo do cancelamento nem quantas pessoas haviam aderido à iniciativa.
Após o cancelamento da comunidade paga, Zambelli informou que pretende utilizar a plataforma internacional GoFundMe para continuar recebendo contribuições financeiras.
Segundo ela, a nova campanha permitirá que os interessados façam doações de forma anônima, sem a necessidade de participar de uma comunidade com assinatura mensal.
A ex-parlamentar afirmou que os valores arrecadados serão utilizados para pagar despesas relacionadas à sua permanência na Itália.
Ela também declarou que contribuições recebidas anteriormente foram encaminhadas diretamente ao advogado que a representa no país europeu, identificado como Peremilio São Marco.
Zambelli não informou o valor total arrecadado antes do cancelamento da primeira iniciativa.
A ex-deputada voltou a afirmar que enfrenta dificuldades para abrir uma conta bancária na Itália e, por isso, não consegue obter um emprego formal.
Segundo ela, o problema estaria relacionado à inclusão de seu nome nos registros da Interpol e às informações referentes à condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Zambelli responsabiliza o ministro Alexandre de Moraes pelas restrições financeiras que afirma enfrentar.
A ex-parlamentar declarou possuir cidadania italiana e documentos que permitem sua permanência no país, mas sustentou que a situação judicial dificulta sua contratação por empresas.
As alegações sobre a impossibilidade de abrir uma conta bancária representam a versão apresentada por Zambelli. Não há confirmação independente de que Moraes tenha determinado diretamente o bloqueio de sua contratação por instituições italianas.
Segundo a ex-deputada, seu advogado trabalha para solicitar a retirada do alerta internacional relacionado ao processo.
Ao justificar os pedidos de doações, ela afirmou não ter constrangimento em buscar ajuda financeira.
“Eu não tenho vergonha nem de trabalhar e nem de pedir ajuda, quando a gente chega no limite de ter que pedir”, declarou.
Carla Zambelli está na Itália desde junho de 2025, quando deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal.
A ex-parlamentar foi presa em Roma no fim de julho daquele ano, depois de ser incluída na lista de procurados da Interpol.
Ela permaneceu detida durante meses na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana.
Em maio de 2026, foi colocada em liberdade após uma decisão da Justiça italiana relacionada ao processo de extradição.
Apesar da soltura, Zambelli continua enfrentando questões judiciais decorrentes das condenações impostas pelo STF.
A ex-deputada foi condenada em dois processos distintos no Brasil, com penas que somam 15 anos e três meses de prisão.
No primeiro, recebeu uma pena de dez anos por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
Segundo a investigação, a ação foi executada pelo hacker Walter Delgatti Neto e incluiu a emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda condenação, de cinco anos e três meses, está relacionada a um episódio ocorrido em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
Na ocasião, Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma de fogo em uma rua do bairro dos Jardins, em São Paulo.
O STF a condenou pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
As condenações são definitivas no Brasil, mas a ex-parlamentar permanece na Itália, onde ainda existem procedimentos judiciais relacionados à sua situação.
Enquanto busca resolver as questões judiciais e financeiras, Zambelli tenta manter a arrecadação de recursos entre seus apoiadores. Depois do cancelamento da comunidade de R$ 50, a ex-deputada passou a divulgar uma nova campanha internacional de doações, sem informar quanto pretende arrecadar.