
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (30) que conversou por telefone com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em um momento de forte tensão diplomática e militar entre os dois países. Trump não detalhou o conteúdo do diálogo, limitando-se a responder “a resposta é sim” quando questionado por repórteres a bordo do avião presidencial.
A revelação ocorre após o New York Times informar que o telefonema aconteceu neste mês e incluiu a possibilidade de um encontro entre os dois líderes nos Estados Unidos. O contato surpreende porque coincide com uma escalada verbal e militar de Washington contra Caracas. No sábado (29), Trump afirmou que o espaço aéreo da Venezuela “deveria ser considerado fechado em sua totalidade”, declaração que gerou preocupação e confusão na capital venezuelana.
Questionado se o comentário indicava a iminência de ataques, o presidente americano respondeu: “Não tire conclusões sobre isso”.
O governo Trump intensificou sua presença no Caribe, com navios de guerra e aeronaves de ataque operando na região. Segundo fontes da Reuters, os EUA avaliam até mesmo uma tentativa de derrubar Maduro, apoiados por uma preparação militar que já dura meses e operações contra barcos supostamente ligados ao narcotráfico.
Washington acusa o presidente venezuelano de cooperar com cartéis que enviam drogas aos EUA — alegação negada por Maduro. Trump também autorizou operações secretas da CIA no país.
Nem Maduro nem seus principais ministros comentaram o telefonema. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, disse que o assunto “não era tema” de sua coletiva, que tratou de investigações sobre ataques americanos a embarcações no Caribe.
O senador republicano Markwayne Mullin afirmou à CNN que os Estados Unidos sugeriram que Maduro deixasse o país. “Dissemos que ele poderia ir para a Rússia ou para outro país”, declarou. Segundo Mullin, a saída negociada seria uma alternativa à continuidade do conflito político.
Apesar disso, o senador reiterou que “Trump deixou muito claro que não enviará tropas para a Venezuela”.
O presidente americano terá reunião nesta segunda-feira (1º) na Casa Branca para discutir novos passos em relação à crise.
Em carta enviada à OPEP e lida pela vice-presidente Delcy Rodríguez, Maduro acusou os Estados Unidos de tentarem tomar as reservas de petróleo venezuelano — as maiores do mundo — “pela força militar”.
O documento afirma que uma ofensiva americana teria “graves repercussões no mercado global de energia” e acusa Trump de promover “campanha de assédio e ameaça” que coloca em risco a estabilidade regional.
Segundo a carta, a Venezuela permanecerá “vigilante e comprometida” com a defesa de seus recursos. A produção venezuelana segue em torno de 1,1 milhão de barris por dia, grande parte exportada para a China.
Trump já afirmou que as operações americanas contra navios de narcotráfico podem evoluir para ações terrestres, mas, ao mesmo tempo, admitiu ter conversado com Maduro sobre uma possível visita aos EUA — sinal de que Washington tenta combinar pressão militar com abertura diplomática.