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Trump ameaça atacar países ligados ao tráfico de drogas

Presidente afirma que ofensiva não se limita à Venezuela e promete atingir traficantes “onde eles moram”; declaração ocorre em meio a acusações de crime de guerra contra o secretário de Defesa.

Redação
Por: Redação
03/12/2025 às 17h37
Trump ameaça atacar países ligados ao tráfico de drogas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (2) que qualquer país que envie drogas ao território americano poderá ser alvo de ataques militares, e não apenas a Venezuela. A fala, feita em Washington, aumenta a tensão em meio à maior mobilização militar dos EUA na América Latina em décadas.

Trump fez a declaração ao comentar a campanha naval americana no Caribe e no Pacífico, que, segundo ele, tem o objetivo de combater o narcotráfico e pressionar o regime de Nicolás Maduro. “Qualquer um que produza cocaína, fentanil ou venda drogas no nosso país está sujeito a ataques”, disse.

Questionado se a ameaça se restringia à Venezuela, respondeu: “Não só a Venezuela. A Venezuela tem sido muito ruim para nós. Mandaram assassinos, esvaziaram suas cadeias dentro do nosso país”.

O republicano também afirmou que pretende ordenar ataques “onde os traficantes moram” nas próximas semanas, o que intensificou especulações sobre um possível bombardeio direto ao território venezuelano — medida equivalente a uma declaração de guerra.

Pressão sobre o secretário de Defesa

Trump defendeu seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, alvo de denúncias após revelações de que teria ordenado “matar todos” em um ataque a embarcações suspeitas de tráfico, no Caribe. A acusação, publicada pelo Washington Post, aponta que um segundo bombardeio teria sido realizado para eliminar sobreviventes — o que configuraria crime de guerra, já que não havia conflito declarado.

Hegseth nega ter visto sobreviventes e diz que a ordem foi para eliminar “supostos traficantes”, deixando a execução da operação a cargo da Marinha. Em discurso duro, criticou a imprensa e afirmou que jornalistas “não entendem a névoa da guerra”.

Estratégia jurídica

Para tentar se blindar, o governo Trump classificou organizações narcotraficantes latino-americanas como grupos terroristas, alegando que isso permite aos EUA agir militarmente fora do país sem declarar guerra formalmente.

Escalada regional e tensões políticas

A ofensiva já deixou mais de 80 mortos em ataques contra barcos na região. Especialistas alertam que o risco de conflito militar com a Venezuela cresce à medida que Washington amplia recursos militares no Caribe.

Paralelamente, senadores americanos articulam uma lei para proibir Trump de atacar a Venezuela sem aval explícito do Congresso, já que a Constituição dos EUA estabelece que somente o Legislativo pode declarar guerra.

Ataques a imigrantes

Ao final da conversa com jornalistas, Trump fez declarações xenófobas ao criticar imigrantes da Somália e a deputada democrata Ilhan Omar. “Os somalis não contribuem em nada para o nosso país. Não quero eles aqui”, disse.

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