
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (2) que qualquer país que envie drogas ao território americano poderá ser alvo de ataques militares, e não apenas a Venezuela. A fala, feita em Washington, aumenta a tensão em meio à maior mobilização militar dos EUA na América Latina em décadas.
Trump fez a declaração ao comentar a campanha naval americana no Caribe e no Pacífico, que, segundo ele, tem o objetivo de combater o narcotráfico e pressionar o regime de Nicolás Maduro. “Qualquer um que produza cocaína, fentanil ou venda drogas no nosso país está sujeito a ataques”, disse.
Questionado se a ameaça se restringia à Venezuela, respondeu: “Não só a Venezuela. A Venezuela tem sido muito ruim para nós. Mandaram assassinos, esvaziaram suas cadeias dentro do nosso país”.
O republicano também afirmou que pretende ordenar ataques “onde os traficantes moram” nas próximas semanas, o que intensificou especulações sobre um possível bombardeio direto ao território venezuelano — medida equivalente a uma declaração de guerra.
Trump defendeu seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, alvo de denúncias após revelações de que teria ordenado “matar todos” em um ataque a embarcações suspeitas de tráfico, no Caribe. A acusação, publicada pelo Washington Post, aponta que um segundo bombardeio teria sido realizado para eliminar sobreviventes — o que configuraria crime de guerra, já que não havia conflito declarado.
Hegseth nega ter visto sobreviventes e diz que a ordem foi para eliminar “supostos traficantes”, deixando a execução da operação a cargo da Marinha. Em discurso duro, criticou a imprensa e afirmou que jornalistas “não entendem a névoa da guerra”.
Para tentar se blindar, o governo Trump classificou organizações narcotraficantes latino-americanas como grupos terroristas, alegando que isso permite aos EUA agir militarmente fora do país sem declarar guerra formalmente.
A ofensiva já deixou mais de 80 mortos em ataques contra barcos na região. Especialistas alertam que o risco de conflito militar com a Venezuela cresce à medida que Washington amplia recursos militares no Caribe.
Paralelamente, senadores americanos articulam uma lei para proibir Trump de atacar a Venezuela sem aval explícito do Congresso, já que a Constituição dos EUA estabelece que somente o Legislativo pode declarar guerra.
Ao final da conversa com jornalistas, Trump fez declarações xenófobas ao criticar imigrantes da Somália e a deputada democrata Ilhan Omar. “Os somalis não contribuem em nada para o nosso país. Não quero eles aqui”, disse.