
O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou à China nesta quinta-feira (4) e pediu ao líder chinês, Xi Jinping, que amplie o diálogo e a cooperação internacional para ajudar a encerrar a guerra na Ucrânia. A visita ocorre em meio à ofensiva diplomática da União Europeia para envolver Pequim nas discussões de paz, ao mesmo tempo em que o bloco pressiona por equilíbrio nas relações comerciais.
Durante o encontro no Grande Salão do Povo, em Pequim, Macron defendeu uma “agenda tripla positiva” baseada em estabilidade geopolítica, reequilíbrio econômico e sustentabilidade ambiental. “Temos de continuar a nos unir em favor da paz e da estabilidade no mundo”, disse o presidente francês, afirmando que a capacidade de parceria entre França e China é “decisiva”.
Pequim busca aliviar tensões comerciais com o bloco europeu, especialmente diante da investigação sobre subsídios chineses à indústria de veículos elétricos — um dos temas mais sensíveis da relação. O governo chinês tenta se apresentar como parceiro confiável e contraponto à política protecionista dos EUA, que ampliaram tarifas sobre produtos chineses no governo Donald Trump.
Xi respondeu pedindo que França e China mostrem “visão estratégica” e reforçou que continuará promovendo “paz e estabilidade” no cenário global, incluindo Ucrânia e Gaza. O líder chinês também anunciou US$ 100 milhões em ajuda para reconstrução palestina, valor muito inferior aos € 1,6 bilhão prometidos pela União Europeia.
Mesmo com o tom cordial, analistas afirmam que Macron deve encontrar barreiras políticas em temas sensíveis. É improvável que Xi atenda ao pedido francês por um grande pacote de compras da Airbus — o que reduziria a margem de pressão da China sobre os EUA nas negociações envolvendo a Boeing. Da mesma forma, Pequim não deve suspender regras que limitam a entrada de conhaque francês no mercado chinês, já que a medida foi adotada em retaliação às tarifas europeias sobre carros elétricos.
Também não se espera que a China adote posição mais dura com relação à Rússia. A orientação do governo chinês tem sido reforçar apoio estratégico ao Kremlin, sem romper a linha de neutralidade declarada.
Macron viajou acompanhado de uma ampla delegação empresarial, com executivos da Airbus, BNP Paribas, Alstom, Schneider Electric e de setores de alimentos e cosméticos. O objetivo é ampliar oportunidades para empresas francesas, num esforço de Macron para fortalecer sua posição política antes das eleições de 2027.
Ao final da reunião, França e China assinaram 12 acordos de cooperação, envolvendo temas como energia nuclear, envelhecimento populacional, investimentos, inteligência artificial e preservação de pandas.
A China é o sétimo maior parceiro comercial da França e importa cerca de US$ 35 bilhões em produtos franceses por ano — incluindo peças aeronáuticas, cosméticos e bebidas alcoólicas. Já a França compra cerca de US$ 45 bilhões em produtos chineses, muitos deles itens de baixo valor enviados diretamente por plataformas como Shein, beneficiados pela isenção de tarifas para compras abaixo de € 150.
Macron defendeu novas regras internacionais que evitem distorções e dependência excessiva de cadeias de suprimentos. “Nossos países têm um papel a desempenhar na construção de bases para uma governança econômica mais equilibrada”, afirmou.
Na sexta-feira (5), Xi acompanhará Macron em uma visita à província de Sichuan — um gesto incomum, já que o líder chinês raramente acompanha autoridades estrangeiras fora de Pequim.