
A disputa territorial no leste da Ucrânia estará no centro das conversas entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, que acontecem nesta sexta-feira (23) e no sábado (24), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A informação foi confirmada pelo presidente ucraniano Volodimir Zelenski, que classificou o tema como indispensável para qualquer avanço nas negociações de paz.
Segundo Zelenski, o futuro do Donbass, região parcialmente ocupada pelas forças russas desde o início da guerra, será debatido a partir das visões apresentadas pelos três países envolvidos. A questão territorial é considerada um dos pontos mais sensíveis do conflito e representa um dos maiores entraves para um acordo.
O governo ucraniano enfrenta, ao mesmo tempo, pressão diplomática crescente dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, para aceitar concessões que acelerem o fim da guerra, e dificuldades internas provocadas pelos ataques russos à infraestrutura energética. Em pleno inverno, cidades ucranianas lidam com cortes de energia e problemas no fornecimento de aquecimento.
Do lado russo, o discurso segue inflexível. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reiterou que Moscou considera indispensável a retirada das forças ucranianas das áreas orientais reivindicadas pela Rússia. De acordo com ele, essa condição continua sendo a base para qualquer negociação.
Zelenski e Trump se reuniram na quinta-feira (22), em um encontro que o líder ucraniano descreveu como construtivo. Paralelamente, representantes americanos também mantiveram conversas com autoridades russas, tratando não apenas da guerra no Leste Europeu, mas também de outros temas sensíveis da agenda internacional, como a Groenlândia e a proposta americana de reconstrução da Faixa de Gaza.
A exigência do presidente russo Vladimir Putin de que Kiev abra mão do controle sobre áreas ainda mantidas na região de Donetsk segue como um dos principais impasses. A Ucrânia rejeita a ideia de ceder territórios que, segundo o governo, não foram totalmente conquistados pelas tropas russas.
Outro ponto em discussão envolve garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos à Ucrânia após um eventual cessar-fogo. Zelenski afirmou que esse acordo já estaria elaborado, restando apenas a definição de local e data para a assinatura, embora os mecanismos práticos dessas garantias ainda não tenham sido detalhados.
A Rússia, por sua vez, descarta a presença de forças europeias em território ucraniano como parte dessas garantias, o que indica que qualquer arranjo desse tipo dependerá diretamente da atuação americana. Desde o retorno de Trump ao poder, Washington tem adotado uma postura mais próxima de Moscou, aumentando a pressão sobre Kiev.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar ativos russos congelados no exterior para financiar a reconstrução da Ucrânia, Zelenski classificou como inaceitável a ideia de empregar esses recursos em áreas sob controle russo. Moscou rejeita a proposta, que também encontra resistência entre países europeus aliados de Kiev, preocupados com as implicações jurídicas e diplomáticas da medida.