
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, minimizou nesta quarta-feira (28) os efeitos do caso envolvendo o Banco Master no governo federal e afirmou que as consultorias prestadas pelo ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski eram regulares e de conhecimento do Planalto quando ele assumiu o cargo.
Em conversa com jornalistas, Gleisi disse que Lewandowski informou ao governo sobre suas atividades privadas anteriores e que se afastou de qualquer função relacionada a bancos privados ao ingressar no ministério. Segundo ela, não houve conflito de interesses nem interferência nas apurações envolvendo o Banco Master.
A ministra destacou que a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do banco, ocorreu durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça, o que, na avaliação do governo, reforça a inexistência de impacto político sobre as investigações. “Como isso influenciou a apuração? O presidente do Banco Master foi preso nesta gestão”, afirmou.
Questionada se o governo tinha conhecimento específico de que Lewandowski prestava consultoria ao Banco Master, Gleisi disse que o ministro comunicou a existência de atividades privadas e que isso não seria impeditivo. “Ele avisou que exercia atividades econômicas das quais teria que se afastar. Isso não é crime”, declarou.
O escritório de advocacia da família de Lewandowski manteve contrato com o Banco Master entre 2023 e agosto de 2025. Desde janeiro de 2024, quando o ministro deixou formalmente a banca, o escritório passou a ser conduzido por sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e pelo filho do casal, Enrique Lewandowski, que seguiram atendendo o banco. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas posteriormente pela Folha.
Gleisi também rebateu críticas sobre a relação de nomes ligados à esquerda com o caso e transferiu o foco para a oposição. Segundo ela, adversários políticos precisam explicar doações feitas por pessoas ligadas ao Banco Master a campanhas de Jair Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas. Para a ministra, a existência de contratos ou relações empresariais, por si só, não configura irregularidade, e eventuais responsabilidades devem ser apuradas caso a caso.