
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que uma “enorme armada”, maior do que a frota enviada recentemente à Venezuela, está a caminho do Irã. A declaração ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e ao envio de um grupo naval liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Em publicação nas redes sociais, Trump disse que o tempo “está se esgotando” e que Washington está preparada para usar a força, se necessário. Ao mesmo tempo, afirmou que espera que Teerã aceite negociar um acordo “bom para todas as partes”, com foco na contenção do programa nuclear iraniano.
Segundo autoridades americanas ouvidas pela imprensa, os navios de guerra começaram a se deslocar da Ásia-Pacífico na semana passada e já chegaram ao Oriente Médio. O envio ocorre após novos atritos diplomáticos e sob o pano de fundo de protestos internos no Irã contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.

As manifestações, intensificadas no fim de dezembro de 2025, têm como pano de fundo a crise econômica e a repressão política. O governo iraniano admite mais de 3 mil mortes durante os protestos, enquanto organizações de direitos humanos estimam mais de 5 mil vítimas, incluindo dezenas de crianças.
Trump também voltou a ameaçar um ataque “muito pior” caso o Irã não retome negociações. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que não houve contato recente com emissários americanos e condicionou qualquer diálogo ao fim de ameaças. Representantes de Teerã na ONU afirmaram que o país responderia “como nunca visto antes” a uma nova ofensiva.
A escalada ocorre em um contexto de sanções renovadas contra o Irã por seu programa nuclear e após ataques de Israel e dos EUA a instalações nucleares em 2025. Enquanto Washington amplia a presença militar na região, o impasse diplomático mantém elevado o risco de confronto direto no Oriente Médio.