
Brasil e Rússia retomaram, nesta quinta-feira (5/2), a Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), em meio ao impacto das tarifas globais impostas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. O encontro ocorre no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e não era realizado desde o início da guerra na Ucrânia.
A 8ª reunião da comissão reúne uma ampla delegação russa, liderada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, acompanhada por oito ministros, três vice-ministros e representantes de agências governamentais. Do lado brasileiro, a comitiva é chefiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com participação de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo o chanceler Mauro Vieira.
Durante a abertura do encontro, Alckmin afirmou que a retomada da comissão tem como foco ampliar a cooperação bilateral em áreas estratégicas como agronegócio, energia, ciência, tecnologia, inovação, desenvolvimento sustentável e intercâmbio cultural.
“Vemos com grande interesse os investimentos russos no Brasil, especialmente nos setores de química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura”, afirmou o vice-presidente. Segundo ele, também há espaço para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado russo, sobretudo nos segmentos de alimentos processados, máquinas, equipamentos, dispositivos médicos e tecnologia agrícola.
Alckmin destacou ainda a necessidade de fortalecer canais institucionais, reduzir entraves logísticos e aprofundar o diálogo técnico entre ministérios e agências reguladoras dos dois países.
Já Mishustin afirmou que a visita da delegação russa ao Brasil atende a uma determinação direta do presidente Vladimir Putin, sinalizando o interesse do Kremlin em reforçar a relação econômica com o Brasil diante do novo cenário global.
Criada na década de 1990, a Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação tem como objetivo principal fortalecer o intercâmbio comercial e institucional entre os dois países. Em 2024, a balança comercial bilateral somou US$ 10,9 bilhões, com US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações provenientes da Rússia.