
Representantes do Irã e dos Estados Unidos classificaram como “muito positiva” a reunião realizada nesta sexta-feira (6), em Omã, para tratar do programa nuclear iraniano. Segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, os dois lados concordaram em seguir negociando, apesar de o encontro ter sido encerrado “por enquanto”.
Em declaração à agência estatal Irna, Araqchi afirmou que deixou claro aos americanos que qualquer avanço depende do fim das ameaças de agressão militar contra o Irã. Ele reforçou que Teerã aceita discutir exclusivamente o programa nuclear, rejeitando a ampliação da pauta para outros temas regionais ou militares.
“Os negociadores voltarão para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança precisa ser superada”, declarou.
O encontro durou cerca de seis horas, começando pouco antes das 5h e terminando por volta das 11h (horário de Brasília).
O chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, descreveu o diálogo como “muito sério” e indicou que novas rodadas devem ocorrer após avaliação dos resultados em Teerã e Washington. O site norte-americano Axios informou que novas reuniões podem acontecer nos próximos dias.
Araqchi havia afirmado, antes da viagem, que o Irã entraria na negociação “com olhos abertos”, cobrando respeito mútuo e compromissos cumpridos como base para um acordo duradouro.
As negociações ocorrem em meio à elevação das tensões no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse preferir a via diplomática, mas voltou a admitir ação militar caso não haja acordo.
Washington defende um pacto mais amplo, que inclua:
Limitação do alcance de mísseis balísticos iranianos;
Fim do apoio de Teerã a grupos armados na região;
O que a Casa Branca chama de “capacidade nuclear zero” do Irã.
Teerã, por sua vez, insiste que o programa nuclear tem fins pacíficos e rejeita qualquer negociação fora desse escopo. Israel e os EUA acusam o país de buscar armas nucleares.

Nos últimos dias, os EUA enviaram porta-aviões, navios de guerra, caças, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para a região. A Casa Branca afirmou que Trump, como comandante das Forças Armadas, tem alternativas além da diplomacia.
Em resposta, a TV estatal iraniana informou que o míssil balístico Khorramshahr 4 — com alcance de até 2.000 km e capacidade de ogiva de 1.500 kg — foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária. Fontes indicam que Washington pressiona para reduzir esse alcance para cerca de 500 km.
A escalada levou a reações internacionais:
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse trabalhar para evitar um novo conflito regional;
Países árabes do Golfo temem que bases americanas se tornem alvos;
O chanceler alemão Friedrich Merz alertou para o risco de escalada;
A China apoiou o direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças e sanções.
Segundo o governo iraniano, Teerã participa das tratativas para alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno”. As próximas rodadas devem definir se o clima considerado positivo se traduzirá em avanços concretos rumo a um novo acordo nuclear.