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Otan lança missão militar no Ártico

Operação “Sentinela do Ártico” amplia presença militar na região estratégica; Rússia promete resposta a eventual militarização da Groenlândia

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
11/02/2026 às 17h13
Otan lança missão militar no Ártico
Foto: Reprodução

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou nesta quarta-feira (11) o início da missão militar “Sentinela do Ártico”, voltada ao reforço da vigilância e da capacidade de defesa da aliança na região do Extremo Norte.

A decisão ocorre em meio às tensões geradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender a anexação da Groenlândia e acusou aliados europeus de falhas na proteção do Ártico contra a crescente presença da Rússia e da China.

Segundo o general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado da Otan na Europa, a operação reforça o compromisso da aliança com a estabilidade em uma das áreas mais estratégicas do planeta.

A missão prevê:

  • Ampliação da presença militar de países-membros no Ártico;

  • Exercícios conjuntos, incluindo a “Resistência Ártica na Groenlândia”, liderada pela Dinamarca;

  • Aumento da vigilância aérea e marítima;

  • Envio adicional de embarcações, aeronaves e drones.

Autoridades europeias afirmaram à agência Reuters que a operação deve entrar em funcionamento em breve e integra a estratégia de dissuasão diante da atividade militar russa e do interesse chinês na região.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que Moscou responderá com medidas “técnico-militares” a qualquer tentativa de militarização europeia da Groenlândia direcionada ao país.

A Rússia tem ampliado investimentos e infraestrutura militar no Ártico nos últimos anos. Relatório recente da inteligência norueguesa apontou reforço nas capacidades militares russas na região.

 

Groenlândia no centro da crise

A Groenlândia é um território autônomo pertencente à Dinamarca. Nas últimas semanas, Trump afirmou que deseja incorporar a ilha aos Estados Unidos e não descartou o uso de força para isso, provocando forte reação europeia.

A crise levantou questionamentos sobre a coesão da Otan, já que um eventual confronto entre membros da aliança poderia abalar sua estrutura de defesa coletiva.

Após conversas em Davos entre Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, as tensões diminuíram parcialmente, mas a aliança acelerou o planejamento da missão no Ártico.

 

Mobilização ampliada

O Reino Unido anunciou que terá papel ativo na operação. A Força Expedicionária Conjunta (JEF), liderada pelos britânicos e composta por nove países europeus, planeja exercícios militares em setembro na Islândia, na Dinamarca e na Noruega.

Além disso:

  • Países da Otan enviaram tropas para a Groenlândia como demonstração de apoio à soberania dinamarquesa;

  • França e Canadá abriram consulados na ilha;

  • Movimentos logísticos já preparavam uma mobilização mais ampla.

 

Região estratégica

O Ártico tornou-se área de interesse geopolítico por três fatores principais:

  1. Rotas marítimas estratégicas abertas pelo derretimento do gelo;

  2. Reservas de minerais e energia;

  3. Valor militar e de vigilância.

A nova missão da Otan sinaliza que a disputa pelo controle e influência na região tende a se intensificar nos próximos meses.

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