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Mendonça limita acesso da cúpula da PF no caso Master

Decisão retoma perícias e restringe informações ao núcleo da investigação

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
20/02/2026 às 14h57
Mendonça limita acesso da cúpula da PF no caso Master
Foto: Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira (19) a retomada do “fluxo ordinário” das perícias e depoimentos no inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master.

Além de revogar restrições impostas pelo então relator Dias Toffoli, Mendonça estabeleceu que apenas policiais e agentes formalmente designados no caso tenham acesso às informações do inquérito — inclusive vedando o compartilhamento com superiores hierárquicos que não integrem a equipe.

Na prática, a decisão limita o acesso da cúpula da Polícia Federal, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues. O despacho reforça que estruturas administrativas devem apenas garantir recursos humanos e materiais, sem interferir no conteúdo das investigações.

Nos bastidores, a medida é vista como um movimento para blindar a apuração e restringir o fluxo de informações em um caso considerado sensível.

Operação Compliance Zero

O inquérito está ligado à Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Entre os principais pontos:

  • Criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio do banco;

  • Estimativa de irregularidades de até R$ 12 bilhões;

  • Bloqueio judicial superior a R$ 5,7 bilhões;

  • Prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro;

  • Liquidação extrajudicial do banco determinada pelo Banco Central do Brasil.

Depoimentos reforçam fragilidades

Em depoimento à PF, o ex-diretor de Riscos e Compliance do Master, Luiz Antonio Bull, afirmou que era diretor “só no papel” e que chegou a assinar documentos sem ler. Ele declarou não ter formação específica na área e disse que o compliance era exercido parcialmente por um escritório de advocacia externo.

Já o ex-diretor do BRB, Dário Oswaldo Garcia Jr., afirmou não saber detalhes da compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, operação que levou à troca da diretoria do banco público.

A decisão de Mendonça ocorre em meio a questionamentos sobre a condução das investigações e busca reforçar o controle técnico da equipe responsável pelo caso.

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