
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira (19) a retomada do “fluxo ordinário” das perícias e depoimentos no inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master.
Além de revogar restrições impostas pelo então relator Dias Toffoli, Mendonça estabeleceu que apenas policiais e agentes formalmente designados no caso tenham acesso às informações do inquérito — inclusive vedando o compartilhamento com superiores hierárquicos que não integrem a equipe.
Na prática, a decisão limita o acesso da cúpula da Polícia Federal, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues. O despacho reforça que estruturas administrativas devem apenas garantir recursos humanos e materiais, sem interferir no conteúdo das investigações.
Nos bastidores, a medida é vista como um movimento para blindar a apuração e restringir o fluxo de informações em um caso considerado sensível.

O inquérito está ligado à Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Entre os principais pontos:
Criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio do banco;
Estimativa de irregularidades de até R$ 12 bilhões;
Bloqueio judicial superior a R$ 5,7 bilhões;
Prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro;
Liquidação extrajudicial do banco determinada pelo Banco Central do Brasil.
Em depoimento à PF, o ex-diretor de Riscos e Compliance do Master, Luiz Antonio Bull, afirmou que era diretor “só no papel” e que chegou a assinar documentos sem ler. Ele declarou não ter formação específica na área e disse que o compliance era exercido parcialmente por um escritório de advocacia externo.
Já o ex-diretor do BRB, Dário Oswaldo Garcia Jr., afirmou não saber detalhes da compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, operação que levou à troca da diretoria do banco público.
A decisão de Mendonça ocorre em meio a questionamentos sobre a condução das investigações e busca reforçar o controle técnico da equipe responsável pelo caso.