
A nova tarifa global de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos começa a valer nesta terça-feira (24), após decisão da Suprema Corte que derrubou parte do tarifaço anterior. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump, mas vem acompanhada de uma ampla lista de isenções — incluindo itens importantes da pauta exportadora brasileira.
Com a decisão judicial, caíram as chamadas tarifas “recíprocas” de 10% e a sobretaxa de 40% aplicada a produtos do Brasil em 2025. No lugar, entra uma taxa temporária autorizada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, válida por até 150 dias.
Embora a nova tarifa seja global, vários produtos estratégicos ficaram fora da cobrança adicional. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que combustíveis, carne bovina, café, celulose, suco de laranja e aeronaves estão entre os itens beneficiados.
Veja os principais grupos isentos:
Energia e combustíveis
Petróleo bruto
Óleo combustível e derivados
Querosene de aviação
Agroindústria
Carne bovina (fresca, refrigerada ou congelada)
Café em grão (torrado ou não)
Suco de laranja (inclusive concentrado)
Fertilizantes
Cacau e derivados
Aeronaves e peças
Aviões civis
Motores aeronáuticos
Componentes e sistemas de navegação
Mineração e siderurgia
Alumina calcinada
Ferro-ligas
Minérios de cobre, níquel, cobalto, zinco, estanho e titânio
Tecnologia
Semicondutores
Processadores e memórias
Equipamentos para fabricação de chips
Por outro lado, aço e alumínio seguem sujeitos à tarifa de 50%, com base em outro instrumento legal já em vigor.
Especialistas avaliam que a decisão busca manter a pressão comercial sem provocar alta imediata nos preços internos dos EUA. Ao preservar itens considerados estratégicos — como energia, alimentos e insumos industriais — o governo americano reduz o risco de impacto inflacionário e de ruptura em cadeias produtivas.
Além disso, produtos do Canadá e do México que seguem regras do acordo comercial da América do Norte permanecem isentos, assim como têxteis de países que integram o CAFTA-DR.
A nova configuração tarifária mantém incertezas sobre os próximos passos da política comercial americana, mas, no caso do Brasil, preserva setores relevantes da economia, especialmente no agronegócio e na indústria aeronáutica.