
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (15) que pretende “abrir permanentemente” o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
A declaração foi publicada na rede Truth Social, dois dias após o próprio governo norte-americano iniciar um bloqueio contra navios que saem ou se dirigem a portos iranianos. No texto, Trump citou diretamente a China como uma das interessadas na reabertura da rota e sugeriu um acordo geopolítico envolvendo o país asiático.
“Estou abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz. Estou fazendo isso pelo mundo”, escreveu o presidente, ao mencionar também um possível compromisso chinês de não enviar armas ao Irã.
No entanto, na segunda-feira (13), o governo americano passou a restringir a circulação de embarcações ligadas ao Irã.
Na prática, a medida funciona como um bloqueio indireto. Navios que tenham relação com portos iranianos estão sendo interceptados ou obrigados a retornar. Segundo o Comando Central dos EUA, ao menos nove embarcações já foram impedidas de seguir viagem.
A estratégia segue uma lógica de pressão econômica: ao limitar o escoamento do petróleo iraniano — responsável por cerca de 10% a 15% do PIB do país —, Washington tenta enfraquecer financeiramente Teerã e forçar concessões nas negociações.
Antes disso, o Irã já utilizava o controle parcial do estreito como ferramenta de pressão, permitindo a passagem de alguns navios mediante pagamento de taxas que podiam chegar a US$ 2 milhões por embarcação.
A resposta iraniana veio no mesmo dia. O governo de Teerã ameaçou ampliar o conflito e afirmou que pode bloquear o fluxo comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio americano continue.
Autoridades iranianas também colocaram em dúvida a eficácia da operação dos EUA, alegando que algumas embarcações conseguiram atravessar a região mesmo após o início das restrições. Segundo agências estatais, um petroleiro de grande porte e um navio de carga teriam passado pelo estreito recentemente.
Além disso, o Irã sinalizou que pode utilizar rotas alternativas e portos no sul do país para contornar o bloqueio, o que mantém a tensão elevada na região.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca guerra, mas alertou que não aceitará imposições externas. Segundo ele, qualquer tentativa de forçar a rendição do Irã está “condenada ao fracasso”.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais gargalos energéticos do mundo, ligando o Golfo Pérsico ao oceano aberto. Qualquer instabilidade na região afeta diretamente o preço do petróleo, o transporte marítimo e a inflação global.
A decisão dos Estados Unidos de bloquear embarcações, ao mesmo tempo em que promete “abrir” a rota, reforça a incerteza no mercado internacional e aumenta o risco de escalada militar.
Especialistas avaliam que a medida pode ter efeito duplo: pressionar economicamente o Irã, mas também elevar os preços do petróleo e impactar economias dependentes da importação de energia, como a China e países europeus.